A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 24/11/2020

A Revolução Técnico-Científico-Informacional proporcionou o surgimento de uma nova era tecnológica, a qual teve como tônicas o avanço da mobilidade e o aumento da troca de informações. Nesse viés, dentre as mudanças sociais ocorridas pelas implementações das inovações, o ramo empregatício teve grandes adaptações a esse meio, visto a necessidade de se enquadrar no novo panorama, o que gerou o processo conhecido como “uberização”. Assim, é importante compreender como o estilo de vida do século XXI influencia nesse contexto, e, de que maneira, essas transformações modernas interferem no cotidiano dos trabalhadores.

Em primeiro plano, vale ressaltar que o acelerado modelo do século vigente veio vinculado ao desdobramento tecnológico na sociedade. De acordo com Steve Jobs, cofundador da empresa Apple, a tecnologia move o mundo. A esse respeito, nota-se que, ao se observar a realidade de exorbitantes avanços em curtos espaços de tempo, os quais geram maiores quantidades de informações e possibilidades no dia a dia, percebe-se que, cada vez mais, a sociedade é fomentada a incorporar novos hábitos e tecnologias. Logo, a necessidade de se inserir de maneira mais rápida nesse novo ambiente, torna-se uma situação corriqueira, o que implica em um estilo de vida intenso, volátil e nefasto, prejudicando, dessa forma, o bem estar do sujeito.

Ademais, é preciso compreender os efeitos gerados por esta nova realidade aos trabalhadores. Nessa ótica, o filósofo contratualista Locke diz que o trabalho engrandece o homem. Entretanto, ao se analisar o contexto atual de altas cobranças e sobrecarga de tarefas aos funcionários, é perceptível que essa máxima não se faz efetivada muitas vezes, visto que há uma grande exploração do indivíduo em questão, não o tendo o prazer de exercer seu ofício. Além disso, o profissional pode vir a adquirir doenças e síndromes, a exemplo da síndrome do burnout - agudo esgotamento -, desenvolvimento de gastrites, transtornos alimentares e problemas cardiovasculares, o que denota a imprescindibilidade da tomada de ações para diminuir essas possíveis ocorrências.

Diante do exposto, é evidente que a “uberização” no Brasil necessita da atuação governamental. Desse modo, cabe ao Ministério do Trabalho - órgão responsável pelas políticas de apoio ao trabalhador - estabelecer campanhas e workshops sobre a saúde no trabalho, por meio de sindicatos e instituições de saúde, a fim de instruir as pessoas sobre os malefícios e perigos da sobrecarga no trabalho. Com tal medida, será possível estimular uma sociedade mais saudável e consciente quanto ao novo contexto de labor