A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 22/11/2020

Com a ascensão dos recursos tecnológicos, tais como “smartphones”, GPS e aplicativos comprados em lojas virtuais, é notório a máxima criada pela Geografia sobre a globalização: “ocorre o encurtamento do tempo e das distâncias, devido à velocidade dos transportes e informação”. Com isso, novas relações de trabalho também surgem e, na contemporaneidade, uma tem se destacado: a “uberização”. Tal termo refere-se ao aplicativo “Uber”, o qual emprega diversos trabalhadores em um regime mais flexível de labor, e muitas outras empresas tem adotado esse sistema, principalmente as redes alimentícias como “Ifood” e “Rappi”. No entanto, é ingênuo acreditar que esse modelo de emprego é de fato exemplar, visto que nem sempre os empregados são registrados ou recebem salários compatíveis com as horas trabalhadas.

De fato, em um mundo cada vez mais acelerado e agitado, ter um emprego com um regime de horários que se adequam ao cronograma do trabalhador é ótimo. Por exemplo, uma mãe que antes só trabalhava nas tarefas domésticas e cuidava dos filhos, pois fora demitida após o nascimento de seu bebê, agora com esse regime de labor, pode conciliar sua vida doméstica e ganhar um salário por seu trabalho como motorista de entrega ou transporte. Contudo, para aqueles cuja renda é dependente apenas desse modelo de “uberização” há celeumas, visto a precarização do trabalho.

Nesse sentido, segundo Milton Santos, renomado geógrafo brasileiro, a globalização surge no planeta como perversidade, pois ilude os indivíduos quando mostra os benefícios da tecnologia, porém não distribui tais recursos de forma igualitária. Diante disso, as pessoas que se sujeitam aos labores da “Uber”, por exemplo, necessitam de, no mínimo, um carro e um celular com acesso a internet, ou seja, aqueles que não os possuem gastam suas economias ou fazem empréstimos apenas para começarem a trabalhar. Além disso, há relatos de funcionários sobre a precarização do emprego a que são expostos, tanto que, em 2020, houve protestos de motoristas e entregadores na cidade de São Paulo e exigências de melhorias das condições do labor, com direito a carteira assinada e pagamento de horas extras. É sabido que ocorre uma “gamificação” nesses aplicativos, de tal maneira que se um motorista cumprir mais alguns quilômetros rodados haverá bonificação, entretanto, nem sempre ela é paga e pior o trabalhador, a fim de receber mais, também excede o tempo de trabalho normal, passando a ficar 12 a 14 horas sentado no banco de seu carro.

Portanto, é dever da câmara dos deputados e senadores elaborar uma lei que prevê a regulamentação dos empregados de aplicativos, por meio de uma votação, a fim de evitar a precarização do labor e garantir que a globalização não favoreça apenas alguns cidadãos.