A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 22/11/2020

A liberdade sem direitos

A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) no governo Getúlio Vargas aumentou os direitos dos trabalhadores brasileiros. Porém, como os avanços tecnológicos do século XXI, o desemprego estrutural cresceu nos últimos anos, juntamente com a precarização do trabalho, principalmente manual. Sendo assim, a partir da terceirização, o trabalhador tem a liberdade de escolher sua forma de trabalho e fugir da precariedade da mão de obra existente em muitas empresas.

Nessa conjuntura, com a Terceira Revolução Industrial, ocorreu uma desvalorização do trabalhador e de sua força produtiva e a exaltação do conhecimento técnico e das novas tecnologias. Isso acontece porque, com a crescente produção de máquinas, a mão de obra humana torna-se prescindível, assumindo apenas alguns postos de trabalho que, em sua maioria, são acompanhados de péssimas condições. Dessa forma, o “precariado”, termo usado por Ruy Braga para definir o proletariado submetido a precárias situações de trabalho, ferindo os direitos garantidos pela CLT.

A partir da precarização da mão de obra manual e o desemprego estrutural, os trabalhadores buscam por outras formas de ganhar dinheiro. Isso foi possível pelo crescimento de empresas que promovem serviços terceirizados e praticamente autônomos, como Uber e iFood, que possuem aplicativos por meio dos quais os usuários podem, da maneira que quiserem, oferecer seus serviços, de maneira informal. Assim, a “uberização” do trabalho dá a liberdade às pessoas que preferem não ser submetidas a condições precárias em troca de um salário mínimo e escolhem labutar por conta própria e decidir sua forma de trabalho.

Portanto, tendo consciência das péssimas situações de trabalho que ainda persistem em vários estabelecimentos brasileiros e a necessidade de melhorar a vida desses trabalhadores, urge que medidas sejam tomadas pelo Ministério do Trabalho. Isso deve ocorrer por meio da fiscalização de locais laborais a cada mês por profissionais especializados. Para que as leis trabalhistas, promovidas pela CLT, sejam garantidas nesses lugares e o contingente de “precariado” existente no país seja reduzido.