A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 23/11/2020
Ao analisar os efeitos da Primeira Revolução Industrial, do século XVIII, é possível notar que a substituição da manufatura pela utilização das máquinas na produção, gerou empregos nas fábricas e transformou a vida dos trabalhadores. Hodiernamente, na Quarta Revolução Industrial, chamada de “tecnológica”, nota-se que diminuiu-se a oferta de empregos e precarizou-se a as relações de trabalho, tornando-as informais e flexíveis, caracterizando-se como o fenômeno chamado “uberização”. Destarte, é necessário analisar as causas e consequências da uberização do trabalho na era tecnológica.
A princípio, as causas deste fenômeno podem ser ligadas ao fato de que, atualmente, segundo o IBGE, 12,8 milhões de brasileiros estão desempregados. Tendo em vista que o mercado de trabalho exige qualificação para a ocupação dos cargos e boa parte da população não tem oportunidades para se qualificar. Dessa forma, a uberização consolidou empresas que são intermediadoras da demanda de trabalhos informai. Portanto, a desigualdade social força uma parte da sociedade a ir em busca de empregos informais, desprotegidos das leis trabalhistas. Este fenômeno surge como uma oferta fantasiosa, que garante o rápido retorno financeiro e falsa sensação de liberdade, precarizando a mão-de-obra dos trabalhadores.
Outrossim, as consequências da uberização do trabalho são refletidas nas más condições laborais enfrentadas pelos trabalhadores, como por exemplo os entregadores de aplicativos, que fazem uma jornada de trabalho excessiva, com baixa remuneração, sem direito a férias remuneradas, 13° salário e previdência social, ou seja, esses trabalhadores são desamparados pela lei. Ademais, é válido ressaltar que o preconceito e a discriminação permeiam estes empregos informais, frequentemente os trabalhadores são discriminados por exercerem tal função, já que os demais têm uma visão de uma pessoa sem escolaridade e da periferia. Sendo assim, há uma dificuldade deste trabalhador ser aceito no meio social devido ao seu serviço prestado.
Em síntese, conclui-se que é necessária a criação de políticas interventivas mediadas pelo governo federal e pelo Ministério do Trabalho, através da criação de novos empregos para atender a demanda da população, regularizar os trabalhos informais por meio de contratos baseados nas leis trabalhistas e, além disso, oferecer cursos profissionalizantes gratuitos à população, a fim de atender as necessidades da nova revolução industrial e gradativamente, diminuir a desigualdade social no Brasil.