A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 24/11/2020
O documentário “Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar” critica veementemente os modos trabalhistas informais na sociedade, enfatizando a precarização e a forte exploração do trabalhador fundamentada em uma aceitação das péssimas condições pela necessidade de renda. Nesse contexto, a alusão contestadora da obra deflagra o processo de informalização do labor, isso sendo adicionado a vulgarização de aplicativos os quais o regem consiste no hodierno processo de “uberização”, que prejudica o proletariado devido à aproveitar-se da essencialidade socioeconômica do trabalho a qual tem como consequência direta a submissão do empregado à empresa. Logo, é imperioso destrinchar os percalços trazidos junto a essa prática.
Primordialmente, ressalta-se a utilização, por parte dos empregadores, da carência de trabalho pelo indivíduo. Desenvolvendo essa proposição, consoante cientista social Émile Durkheim, a sociedade age como regulamentadora comportamental dos seus integrantes. Seguindo esse raciocínio, por causa da atual pandemia da COVID-19, paradoxalmente, a demanda por emprego crescia brutalmente à medida que a oferta dos postos laborais diminuía exponencialmente, assim, com essa nevrálgica conjuntura, a informalidade apareceu como aparente solução social que, no entanto, transformou-se em problema.
Por conseguinte, salienta-se que esse modo de empregabilidade traz consigo uma espécie de vassalagem do trabalhador. Progredindo essa afirmação, as Carteiras de trabalho e Previdência Social, quando assinadas, garantem aos seus titulares uma série de direitos ditos pelos Estados no que tange ao salário e seguridades adicionais. Contrariando isso, o emprego ausente de formalidade não possui tal assinatura, mesmo assim, pela precisão de renda, as pessoas submetem-se a isso, ficando alheias as exigências empresariais, tornando a relação entre os dois extremamente deficitária.
Infere-se, portanto, que esse fenômeno trouxe mais malefícios do que benevolências ao proletário. Diante disso, urge que a Secretaria do Trabalho, no intuito de retomar gradualmente a formalidade do trabalho, assegure melhores condições trabalhistas aos cidadãos, por meio de punições e vigias, de modo a estabelecer metas promulgadas de evoluções progressivas nesse sentido. Enfim, revertendo a triste realidade explanada na obra cinematográfica supracitada.