A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 27/11/2020
No filme cinematográfico “Você não estava aqui”, é analisado sobre a realidade do trabalho autônomo de entrega em sua relação com a sociedade. Nesse sentido, o enredo foca na demonstração de vida e rotina desses entregadores no seu meio social, sendo grande parte das vezes desvalorizado por aqueles que recebem a encomenda. Fora da ficção, é fato como a realidade apresentada traz questões impactantes da uberizaçao no meio social do século XXI, a saber, com o setor tecnológico de inovação, em consonância a demanda precária trabalhista.
Em princípio, é considerável trazer o discurso do físico Edward Lorenz, em sua “Teoria do caos”, na qual o caos são situações que, por quaisquer mudanças em suas condições iniciais, podem apresentar resultados diferentes no futuro. Nessa lógica, a uberizaçao do trabalho na era tecnológica está em convergência ao pensamento de Edward, visto que a situação inicial de promover novos meios e recursos para venda, sendo eles virtuais, causou a diminuição de contratação de funcionários, e o direito antes existente sobre o trabalhador. Dessa forma, o autônomo não se torna parte do corpo colaborativo da empresa, transformando seu estilo de vida e segurança no serviço. Faz-se imprescindível, por isso, a dissolução dessa conjuntura.
Outrossim, é válido ressaltar que, conforme São Tomás de Aquino, em sua parábola do “Duplo efeito”, a qual explica que uma ação, após efetuada, pode gerar consequências positivas ou negativas. De maneira análoga, o aspecto de aumentar a demanda de agentes autônomos, arrisca o formato trabalhista indo de encontro à perspectiva do pensador, dado que o ato de gestores procurarem cada vez mais qualificantes e profissionais curriculares exemplares, gera por consequência, o desemprego e a busca por serviços instáveis e de ganho rápido por atendimento. Com base nisso, o indivíduo arca com o próprio custo no transito e da entrega, sendo prejudicial a ordem social e, por conseguinte, torna-se contestável quando executado sem consentimento.
Portanto, fica evidente que tome medidas especulantes para uma construção eficaz da uberizaçao na era tecnológica como liberdade ou precarização brasileira. Para tanto, cabe ao Estado, que tem o poder de fiscalizar e regulamentar suas instituições em reorganizar novos recursos ao problema, por meio de leis constituindo direitos aos entregadores e uberizados no país, para que sua profissão seja reconhecida e valoriza, como também direcionar corredores de rodovia privatizados apenas para quem faz esse estilo de serviço, a fim de garantir meios de segurança ao trabalhador e moldar a nova era tecnológica. Para que, assim como no filme “Você não estava aqui”, as vidas de entregadores sejam admiradas pelos seus esforços e adquiridas como trabalho profissional.