A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 28/11/2020

No desenvolvimento da sociedade moderna, pós revolução industrial, pode se observar fenômenos como o fordismo, o qual subdividiu o trabalho em pequenas partes para se otimizar a produção e também taylorismo que teve como intuito reduzir o tempo de confecção dos produtos. Assim, com o passar das décadas no Brasil, tem se percebido o inchaço do setor terciário, que causa o processo de terceirização dos empregos e a redução na qualidade de vida e dos salários das pessoas que trabalham em cargos subalternizados. Mediante a isso, é possível perceber que a uberização das relações de trabalho além  de ser precarizadas, expõe os trabalhadores a vulnerabilidade socioeconômica.

Primeiramente, é válido entender a uberização como empregos manuais de longas jornadas no qual as grandes empresas pagam salários muito baixos comparado aos das pessoas com carteira assinada, sendo esses serviços os de motoristas de aplicativo ou entregadores de comida. Essas relações entre burguesia e proletário, foram amplamente discutidas na obra “O Capital” de Karl Marx, a qual aponta que os detentores do meio de produção só estão preocupados com a mais-valia, ou seja ampliação dos seus recursos. Dessa forma, esses trabalhos terceirizados ou temporários não são respaldados ou verificados pela lei o que deixa os trabalhadores a mercê dos contratantes que por muitas vezes aderem a precarização do trabalho no intuito de maximizar seu lucros e ampliar seu mercado consumidor.

Segundamente, o vulnerabilidade social e econômica, podem ser exemplificadas quando os salários sucateados obrigam essas pessoas a enfrentar jornadas duplas de trabalho para conseguirem o mínimo necessário para se sustentar. Dessa forma, esses indivíduos são expostos a situações como de violência urbana, déficit habitacional e condições de trabalho lastimáveis que trazem como consequência problemas de saúde vinculados ao estresse, esgotamento físico e emocional de quem vivencia essa triste realidade. Além disso, a sociedade normaliza e romantiza esses serviços pois eles oferecem praticidade e rapidez no fornecimento das prestações dessas funções, evidenciando que a globalização cria uma falsa sensação de melhoria na qualidade de vida, quando na realidade ela se sustenta na exploração dos mais pobres.

Em suma, é necessário que o Ministério do Trabalho em parceria com o Governo Estadual criem mecanismos rígidos de fiscalização das condições de trabalho do setor terciário por meio de leis. Assim, teria por finalidade diminuir a precarização dos serviços prestados melhorando não somente a via econômica como também a social.