A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 25/11/2020

Observando o cenário atual, os avanços tecnológicos mudaram o comportamento do consumidor e a partir disso criaram um novo modelo de negócios sob demanda. Nesse contexto, surge a “uberização” do trabalho, que decerto é a modernização das relações de trabalho decorrente da popularização dos aplicativos de contratação de serviços.

O termo “uberização” faz referência a empresa Uber, que de fato é um aplicativo que conecta passageiros a motoristas, ou seja, cria uma ponte entre a oferta e a procura. A uberização do trabalho tem como objetivo informar sobre os serviços prestados através de plataformas digitais em todo o mundo. No Brasil, esse processo consiste no trabalho autônomo o qual está desprovido de direitos trabalhista e, além disso vê-se a desigualdade de gênero dentro dessa modalidade de trabalho. Logo, embora esse tipo de serviço seja visto como uma alternância ao desemprego, nota-se um problema de precarização do trabalho que esses indivíduos estão sujeitos. Vale destacar como nos últimos anos a crise econômica e o alto índice de desemprego contribuiu para que o ingresso em trabalhos por aplicativos aumentassem exponencialmente. Com a pandemia de Covid-19, o desemprego aumentou e muitas pessoas recorreram aos aplicativos como uma alternativa de sobrevivência. Segundo estatísticas da Análise Econômica Consultoria, o número de trabalhadores de aplicativos de entregas de refeições cresceu 158% no primeiro semestre de 2020. Um dos principais argumentos da reforma trabalhista foi a flexibilização dos regimes trabalhistas a fim de aumentar as vagas de emprego e enaltecer a economia.

Pode ser importante perceber o filme “Você não estava aqui” (2019), que narra a história de pessoas que buscam no trabalho autônomo uma forma de sobreviver e sofrem com as condições precárias, como acaba por se encaixar em uma perspectiva de falsa liberdade, por meio da qual a vida contemporânea promete liberdade enquanto escraviza. A uberização, para muitos especialistas, é sinônimo de precarização do trabalho. Isso porque, por não serem contratados formalmente, os trabalhadores por aplicativos não têm direitos ou garantias trabalhistas, como auxílio doença, férias remuneradas, 13º salário e previdência social.

Com a ausência de direitos e de regulamentação o indivíduo vê-se sem suporte pela empresa contratante, mas por outro lado, é punido ao ter uma má avaliação feita pelo cliente. Vale ressaltar também a desigualdade de gênero que atinge as mulheres nesse tipo de trabalho, diferenças salariais e a desvalorização do seu serviço. Portanto, que a “uberização” vivida pelos brasileiros não evidência uma solução prática e de curto prazo visto que essa modalidade se encontra em expansão.