A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 25/11/2020
O documentário GIG: “A uberização do trabalho”, lançado em 2019, retrata a realidade precária sobre os serviços prestados através de plataformas de vendas digitais em todo o mundo. Entretanto, esta precariedade não está presente apenas no documentário, uma vez que, no Brasil, o processo de uberização consiste no trabalho terceirizado, que deixa o trabalhador desprovido dos direitos trabalhistas. Nesse contexto, apresentam-se como causas para o aumento dos serviços delivery o desemprego e a revolução tecnocientífica.
É elementar que se leve em consideração, que as altas taxas de desemprego no Brasil, influenciaram diretamente no ingresso em trabalhos por aplicativos. Sendo assim, muitas pessoas desempregadas acabam recorrendo a este tipo de serviço, mesmo sem os direitos trabalhistas, pois precisam do dinheiro para viver, e isso está representado em uma pesquisa realizada pelo IBGE, que mostrou que 4 milhões de pessoas prestam seus trabalhos para serviços delivery sem qualquer vínculo trabalhista. Dessa maneira, isso contribui para o aumento da precariedade e da desigualdade no mundo do trabalho.
Vale ressaltar, ainda, que a revolução tecnológica é um fator que contribui diretamente para o aumento desses tipos de serviço. Uma vez que um mundo tecnológico exige, com ele, avanços das mais diversas áreas que acompanhem a sua agilidade, as portas para serviços delivery aumentam ainda mais. Dessa forma, oportunidades deste tipo de trabalho estão mais propensas a aparecer e chamar a atenção daqueles que precisam do trabalho.
Fica evidente, portanto, que medidas para não deixar que a uberização do trabalho na era da tecnologia se torne uma precariedade ainda maior, se fazem necessárias. Cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, juntamente ao Ministério do trabalho, propor melhorias nas condições destes trabalhadores, por meio da inclusão de direitos trabalhistas, para que este tipo de prestação de serviços não seja mais visto como uma negligência. Desse modo, as cenas retratadas no documentário GIG não serão mais presentes na realidade do país, o que trará uma melhoria na vida dos entregadores de delivery e melhorará as questões de desigualdade.