A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 25/11/2020

Com a mudança que os avanços tecnológicos trouxe no comportamento do consumidor, surgiu neste contexto a “uberização” do trabalho, que é a modernização das relações de trabalho decorrente da popularização dos aplicativos de contratação de serviços. É notório que a uberização do trabalho vem crescendo cada vez mais devido a quantidade de desempregados e pessoas procurando a prometida renda maior e liberdade para trabalhar quando quiser, porém a que custo isso acontece?

Em primeira análise, vale ressaltar que a crise econômica e o alto índice de desemprego nos últimos anos, contribuiu para que o número de trabalhadores de aplicativos aumentassem exponencialmente. De acordo com o IBGE, o número de pessoas que trabalha como motoristas de aplicativo, taxistas e motoristas e trocadores de ônibus, aumentou 29,2% em 2018. Nessa nova dinâmica do trabalho, a uberização, ocorre uma informalização nas relações trabalhistas, porque os trabalhadores que prestam serviços a esses aplicativos não tem qualquer vínculo empregatício com as empresas (assim como mostra no filme “Você não estava aqui”). Eles são “parceiros” e não empregados, ou seja, cada vez mais com novos parceiros, os aplicativos garantem flexibilidade, retorno financeiro rápido, liberdade, mais tempo para vida pessoal e possibilidade de renda extra.

Em segunda análise, para muitos especialistas a uberização é sinônimo de trabalho instável. Isso porque, por não terem carteira assinada, os trabalhadores inscritos não têm direitos ou proteções trabalhistas, como auxílio-doença, férias remuneradas, o décimo terceiro salário e previdência social. Outro problema também é a renda dos trabalhadores de aplicativos que depende do horário de trabalho. Para ganhar o mínimo de sobrevivência, eles devem trabalhar muitas horas por dia sem a alimentação e descanso necessários. Além disso, os trabalhadores devem arcar com os custos de mão de obra e equipamentos necessários (como carros, motocicletas, bicicletas, mochilas quentes, etc.).

Enfim, é notável que medidas são necessárias para resolver tal problema. Portanto, para solucionar esse imbróglio, cabe ao governo criar leis de proteção para esses trabalhadores nesse tipo de serviço, que determinem o tempo no qual a pessoa possa ficar ativa no aplicativo, além de determinar quem irá se responsabilizar pelo trabalhador, o próprio governo ou o aplicativo, por exemplo. Para que assim, não exista a precarização neste trabalho, que é digno como outro qualquer.