A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 25/11/2020
No filme “Sorry We Missed You” lançado em 2020 Ricky, um pai de família cansado da crise econômica e dos trabalhos temporários resolve apostar na entrega de encomendas por aplicativo, no entanto, tudo que consegue é um trabalho inflexível e abusivo, que não só o afasta da família mas também não lhe garante qualquer direito. Da ficção para a realidade, a história narrada não se distancia da atualidade, a uberização do trabalho junto aos avanços tecnológicos transmite uma falsa noção de liberdade, quando na verdade apenas precariza a situação do trabalhador, não lhe protegendo com leis trabalhistas e retrocedendo aos ideais ultrapassados das Revoluções Industriais, com jornadas de até 16 horas diárias, sem férias e remuneração precária.
Desde de o início das relações trabalhistas na Primeira Revolução Industrial o homem vem lutando pelos seus direitos, não só por um melhor salário mas também por condições dignas de trabalho e após quase três séculos de luta, a uberização dos serviços ameaça os avanços já consolidados da classe trabalhadora, uma vez que motoristas de aplicativos, entregas e motoboys não possuem qualquer auxílio desemprego, salários mínimos, 13° ou jornada obrigatória de 8 horas diárias, tornando evidente a precarização desses empregos informais.
Paradoxalmente a tecnologia prega conforto e autonomia, contudo sua influência no mercado de trabalho só favoreceu para o que Marx chamou de “mais valia”, o abuso desenfreado do trabalhador, já que os aplicativos não se preocupam com o indivíduo e sim com os números gerados por ele, como fica evidente na entrevista dada por um motorista de aplicativo ao blog Jusbrasil: “Já cheguei a dirigir 16 horas seguidas, tenho consciência que é perigoso para as pessoas que transporto. Mas pela minha idade eu não tenho grande chance de voltar a ter um emprego como tive no passado. Não tenho escolha”. A falta de perspectiva futura dos trabalhadores só os deixa mais vulneráveis aos abusos dos empregos uberizados.
Diante do exposto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Assim é possível concluir claramente que o Estado deve garantir que as empresas de aplicativos ou de serviço informal contratem seus funcionários sob legislação trabalhista específica para esse setor, essas mesmas companhias devem instruir os trabalhadores sobre seus direitos na intenção de evitar qualquer abuso por parte do contratante, com a união de toda uma classe trabalhadora a mudança é possível para que a uberização não seja precarizada e sim libertária.