A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 25/11/2020

O filósofo Zygmund Bauman trabalha o conceito de “relações líquidas”, que diz que, na era tecnológica, a segurança das relações torna-se menos importante que a liberdade. Assim, o homem torna-se um produto, e pode ser “alugado” no modelo de negócios criado pela empresa Uber. Essa mesma tecnologia, que oferece trabalho sem vínculos empregatícios, se espalhou para outras empresas, o que traz a liberdade de escolher como trabalhar, mas também torna precário o serviço dos trabalhadores.

Sabe-se que a Revolução Industrial 4.0, que é caracterizada por inteligência artificial e internet das coisas, cria métodos para facilitar a vida das pessoas, de forma que o trabalho intelectual possa ser feito por máquinas. Assim, os aplicativos similares ao da Uber conectam um cliente a prestadores de serviços e possibilitam que estes determinem o horário e o plano de trabalho, sem estarem presos a uma empresa, recebendo pelo trabalho realizado. Dessa forma, o trabalhador pode receber equivalente a seu esforço, e decidir quando descansar, o que configura uma vantagem do novo modelo de negócios.

Entretanto, a “uberização” leva à precarização das relações de trabalho, uma vez que os trabalhadores não estão resguardados pela legislação trabalhista, devendo arcar com seus custos de férias, aposentadoria e saúde sozinhos, sem auxílio da empresa para que oferecem serviços. O que disse Karl Marx em “tudo o que é sólido desmancha no ar” é percebido também nesse assunto, uma vez que os direitos trabalhistas conquistados com luta e assegurados na Era Vargas deixam de valer, e os serviços antes estáveis, como o táxi, passam a sumir.

Diante da “uberização” das relações de trabalho, devem ser redigidas, pelo Governo, leis que obriguem as empresas prestadoras de serviços a fornecerem material de trabalho para os associados; além disso, o serviço deve ser resguardado pelas leis trabalhistas, de forma que o Estado custeie gastos com saúde e institua horário de trabalho e folgas, ainda que flexíveis, para que haja alguma segurança na liquidez das relações.