A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 25/11/2020

Revolução ou retrocesso?

“No meio do caminho tem uma pedra”. É possível parafrasear um dos versos mais célebres do poeta modernista brasileiro, Carlos Drummond Andrade, para o destaque de um impasse na sociedade contemporânea, este é: a “uberização” do trabalho na era tecnológica, que, sem dúvidas, ocasiona uma precarização no meio trabalhista. As  causas são nítidas, entretanto, as consequências fazem urgir soluções.

Em primeiro plano, é de conhecimento geral que a tecnologia está em uma nova transformação e, historicamente, toda Revolução Industrial ocasionou  mudanças sociais e psicológicas nos trabalhadores. É evidente que um mundo altamente tecnológico irá influenciar o mercado de trabalho, pois segundo o pensamento de Karl Marx, em um universo capitalista, o trabalhador necessita apenas da sua força de trabalho. Diante disso, não há meios ou razões para fugir da quarta Revolução Industrial, entretanto, o ramo de atividades trabalhistas precisa ser estudado, pois, obviamente, toda a flexibilização e liberdade - em cargas horárias e meios para o trabalho- possui extrema precarização ao se analisar as condições governamentais dadas para os trabalhadores no Brasil atual.

Em segundo plano, na Constituição Federal Brasileira, existem doze leis específicas para o trabalho, a maioria delas são burladas nesse sistema revolucionário, por exemplo, os trabalhadores não possuem carteira assinada, dessa maneira, não existem auxílios em casos de acidentes, férias ou décimo terceiro salário. Além disso, conseguir uma aposentadoria torna-se mais difícil e o governo ainda não oferece renda extra para esses trabalhadores, dessa maneira, a cada instante que se passa tona-se mais difícil conseguir um trabalho formal, devido a crise financeira do capitalismo existente no mundo contemporâneo.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Primeiramente, é cabível ao Poder Legislativo não só fiscalizar as leis trabalhistas, mas também introduzi-las a essa nova maneira de trabalho ou ainda criar novas leis caso seja necessário, já que esse labor é advindo do século revolucionário para trazer vantagens à geração, dessa forma os trabalhadores obterão segurança física e financeira no dia a dia. Ademais, é vital que o Ministério da Educação introduza esse tema na escola, por meio de palestras com historiadores e sociólogos, para que dessa maneira as crianças e jovens aprendam a fundo o objetivo do trabalho e seus direitos embasados em leis constitucionais em uma era de revoluções, pois como já afirmou o filósofo alemão Immanuel Kant " o homem nada mais é, além daquilo que a educação o torna".