A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 25/11/2020

Com o avanço das ferramentas tecnológicas, cada vez mais influenciando na sociedade, é evidente que o ramo laboral seja afetado por esses mecanismos. Atualmente, na chamada 4° Revolução Industrial, muitas relações de trabalho estão sendo transformadas, o fenômeno da “Uberização” representa uma mudança característica desse processo, onde o aplicativo Uber faz um intermédio entre o cliente e o provedor dos serviços, no caso, um motorista, assim, a empresa retira um lucro da relação entre as duas partes, mesmo sem apresentar ligação direta com a realização do serviço. Isso foi causado por uma convergência de fatores, no entanto, um dos que mais se destaca é o aumento do desemprego.

Infelizmente, o índice de pessoas desempregadas é um dos que mais aumenta mundialmente, tendo em vista que grande parte da mão-de-obra que por muito tempo, desde a I Revolução Industrial (que foi o primeiro indício de que isso viria a acontecer), foi humana, vem sendo substituída por máquinas. O controle das tecnologias, um dos principais trabalhos realizados por humanos na após a Revolução se torna cada vez mais singular, visto que as ferramentas utilizadas em vários meios de produção têm se tornado autônomas. Com isso, vários trabalhadores perderam sua forma de sustentação. O desemprego estrutural não é um fenômeno visto apenas em grandes fábricas, ele atingiu também empregos como o de telefonistas e caixas de banco vem sendo substituídos por inteligências artificiais.

Em decorrência disso, muitas pessoas, na base do desespero, são atraídas por meios de trabalho “Uberizados”, que não oferecem direitos trabalhistas, férias, 13° salário e carteira assinada. Dessa forma, elas ficam reféns das empresas e a tendência é que esse fenômeno aumente nos próximos anos fazendo com que muitos trabalhadores se submetam a atividades precarizadas onde quem comanda o ritmo é o algoritmo da ferramenta utilizada. Assim, a situação do trabalhador se encontra ainda mais dificultada, visto que não há nenhum supervisor ou gerente.

A “Uberização” do trabalho é um fenômeno que se mostra perigoso, pois muitas vezes vende uma imagem enganosa, em que o trabalhador corre mais riscos que imagina. Dessa maneira, visando diminuir o risco de que o trabalho “Uberizado” aumente cada vez mais, é necessário que os Governos criem programas para geração de empregos, uma maneira é atrair empresas físicas externas para seus territórios. Por outro lado, como esse fenômeno já é existente e faz muitas pessoas de “refém” é necessário que os Governos nacionais, buscando a segurança dos trabalhadores, decretem que os aplicativos desse tipo tenham uma legislação clara, e forneçam direitos trabalhistas para seus usuários, caso contrário, esses serão banidos do país.