A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 26/11/2020

A humanidade caminha para a Quarta Revolução Industrial, tema, inclusive, discutido no Fórum Econômico Mundial de 2016 em Davos. Nessa revolução, a economia atrela-se às tecnologias digitais, a diferença entre homens e máquinas se dissolvem, o valor central é a informação. Nesse cenário, surge um processo denominado “uberização” do trabalho, em que demanda e oferta e ao lado a lado, praticamente todos os serviços estão disponíveis nas lojas de aplicativos. Diante disso, faz-se necessário analisar, num primeiro momento, os benefícios desse percurso e calcular, em seguida, como precarizações decorrentes de tal fato.

A priori é importante ressaltar que a “uberização” nasce como uma solução, em resposta a uma demanda da humanidade. Segundo Adriano Gianturco, professor de ciências do Ibmec, essa solução não é modismo, no entanto, é tendência macroeconômica de usar a tecnologia para desenvolver quaisquer serviços. Este processo é propagação do Uber, que implantou um conceito de negócio com menos intermediários, o que viabiliza uma possibilidade liberdade para os agentes do negócio. Por isso, uma revelação de “uberização” como rápida de ganhar dinheiro e encontrar preços competitivos e retorno, além de acelerar a prestação e contratação de serviços.

Outrossim, observa-se um crescimento gradual da precarização na economia formal. Nesse âmbito, verifica-se o aumento do trabalho terceirizado e temporário em detrimento do trabalhador tradicional, as relações de trabalho deixam de ser protegidos por leis próprias e se dão na forma de redes contratuais descentralizadas. Como consequências, uma grande desigualdade de ganhos atrelada à falta de assistência e boas ocasionam uma redução da qualidade de vida dos trabalhadores.

Fica claro, portanto, que a “uberização” do trabalho na era tecnológica tem seus prós e contras. Por isso, cabe ao Estado, responsável por criar e fazer cumprir as legislações, elaborar, promover o debate amplo entre diversos setores da comunidade, uma regulamentação moderna e inclusiva que abranja todos os aspectos dessa nova forma de trabalho, deste modo propiciará uma relação de serviço justa, que prioriza uma qualidade de vida de todos os proprietários da sociedade.