A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 04/11/2021
Entende-se por “uberização” a forma de trabalho autônoma na qual o indivíduo utiliza de recursos próprios para vender algo ou oferecer algum tipo de serviço online. Nesse sentido, desesperados por renda ou em busca de liberdade, pessoas se submetem à uma ocupação sem garantias, direitos e de certa forma, perigosa. Diante dos fatos citados, é indubitável que a precarização do trabalho na era tecnológica supera os benefícios oferecidos por ele, sendo necessárias medidas para alterar essa realidade.
Primeiramente, sob a perspectiva filosófica de Pierre Lévy, vivemos, hodiernamente, em uma sociedade hiperconectada, na qual a tecnologia faz parte do cotidiano dos cidadãos. Dessa forma, segundo o site UOL, o crescimento do “home office” reflete a tendência de crescimento do trabalho virtual, que além de diminuir a distância entre oferta e demanda, incentiva cada vez mais a inserção de desempregados ao mundo da “uberização”. No entanto, distantes dos postos de carteira assinada, os trabalhadores autônomos se vêem sem direitos nos momentos em que mais precisam. Assim, sem férias, décimo terceiro, planos de saúde ou odontológicos, a precariedade dessa forma de trabalho se mostra latente.
Ademais, o termo “uberização” advém do nome do aplicativo de corridas Uber, no qual diversos trabalhadores obtêm renda. Assim, aplicativos de entrega e de corrida são os maiores responsáveis pela precarização do trabalho disfarçada de liberdade. Nesse sentido, grande parte dos motoristas e entregadores correm perigo por conta da exposição em áreas desconhecidas e em grandes trânsitos, onde podem sofrer acidentes e assaltos, sem expectativa alguma de assistência médica ou financeira.
Em síntese, medidas são cabíveis. Cabe ao Governo, por meio do legislativo, a criação de um conjunto de leis que sejam responsáveis por reger o trabalho na era tecnológica, assegurando assistências, férias, seguros e demais benefícios aos trabalhadores virtuais. Além disso, cabe ao Ministério da Educação, através da difusão de palestras online, a desmistificação da “liberdade” garantida pela uberização do trabalho.