A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 03/12/2020
Amparo necessário
Na Idade Moderna, com o advento do Iluminismo, esperava-se o uso da ciência em favor do ser humano para a melhoria de sua vida. Todavia, em vista do atual capitalismo burocrático, a tecnologia científica é que passa a ditar o modo de vida humano e não o contrário. Consequentemente, observa-se a tendência à flexibilização das leis trabalhistas, deixando o empregado à mercê das demandas do mercado.
A princípio, vale compreender o contexto presente em que a tecnologia e o dinheiro orientam as formas de convívio humanas. Nesse sentido, é pertinente mencionar a conceito de capitalismo burocrático explorado pelo sociólogo alemão Max Weber, o qual propõe que esse quadro é constituído pelo ápice do processo capitalista, em que o lucro passa a ditar todo o modo de vida humano. Na prática, observa-se o alcance desse estágio do sistema, uma vez que o interesse em dinheiro, acompanhado da tecnologia, passam a conduzir as relações sociais.
Como desdobramento de tal disso, surge o contexto perigoso de flexibilização das leis trabalhistas. Isso porque, em vista unicamente das demandas do mercado, o indivíduo encontra-se desamparado pelo legislativo. Quadro esse presente no âmbito atual de “uberização” da economia, que já evidencia essa perda de direitos no cenário de diminuição da demanda de táxis (emprego regulamento) e de ódio dessa classe trabalhadora aos aplicativos de mobilidade. Além disso, é possível observar também as péssimas condições de trabalho de entregadores de aplicativo, que estão sujeitos à uma rotina cansativa com pouco retorno financeiro, fato esse que acarretou a eclosão greves dessa classe no mês de julho deste ano.
Portanto, diante da atual mudança nas relações sociais, em que o ser humano perde importância em detrimento da tecnologia, e perante a precarização do trabalho decorrente disso, medidas interventivas fazem-se necessárias. Dessa maneira, o governo, em particular, o setor legislativo, deve atuar para que haja a regulamentação adequada dos profissionais de aplicativos, por meio da criação e aprovação de projetos de leis que incluam os princípios trabalhistas no exercer dessas novas áreas de atuação, com intuito de amparar o indivíduo. Ademais, cabe à imprensa a função de denunciar os abusos ocorridos, de intensa jornada de trabalho e baixa remuneração às quais esses são submetidos, para chamar atenção da sociedade para essa questão. Assim, o Brasil, realmente, proporcionará oportunidades de trabalho digno para as pessoas.