A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 30/11/2020
O filme ‘‘Matrix’’ apresenta uma distopia, na qual os seres humanos desenvolvem uma IA, inteligência artificial, que é, no inicio do romance, considerada uma evolução sem precedentes para a humanidade, por ironia, essa tecnologia se volta contra os seres humanos. Em uma das cenas do filme, o protagonista principal, Neo, escuta a seguinte pergunta: ‘‘Controlamos a tecnologia ou será que ela nos controla?’’. Fora da ficção, a terceirização de serviços por meio de empresas, que recebem o nome de ‘‘Startups’’ ou ‘‘Fintechs’’, representa uma ironia, como visto em ‘‘Matrix’’. Pode-se dizer que a precarização da condição de trabalho e a fragilidade dos contratos entre o funcionário e o patrão corroboram a problemática.
Em primeiro plano, todas as empresas tem, por obrigação, garantir condições de trabalho ideias para os seus funcionários. Entretanto, a folha de São Paulo divulgou um dado que demonstra o contrário disso: Somente 20% dos trabalhadores brasileiros tem condições ideias para trabalhar em casa durante a pandemia do Corona vírus. Com esse dado, chega-se a conclusão de que as empresas não cumprem com o seu papel de cuidar da ergonomia dos seus funcionários. Em suma, nota-se que a saúde do trabalhador brasileira está comprometida, uma vez que as empresas não respeitam as suas obrigações legais, no tocante ao materiais necessários para a realização, em condições dignas, do trabalho.
Outrossim, a terceirização dos serviços cria um ambiente de instabilidade no mercado de trabalho. Sobre isso, o jornal ‘‘G1’’ informou que: ‘‘O vinculo médio de uma startup com um funcionário, no Brasil, é de 1,4 anos’’. Ou seja, a criação de Fintechs diminuiu a estabilidade financeira do trabalhador. Dessa forma, a chamada ‘‘Quarta revolução industrial’’ trouxe junto ao seu peito o desemprego em massa. Logo, a terceirização dos serviços configura-se em um avanço tecnológico em detrimento da mão de obra humana.
Destarte, é de suma importância que a raça humana pondere e mensure os pontos positivos e negativos de um desenfreado avanço tecnológico. Além disso, o Governo Federal deve aumentar as verbas destinadas ao Ministério do Trabalho e do Emprego, para que esse órgão possa atualizar as Normas Regulamentadoras, normas que protegem os funcionários, adequando-se a realidade brasileira, na qual novos estilos de empregos surgem, como é o caso do ‘‘Home office’’, sem um devida regulamentação por parte das autoridades. Dessa forma, evita-se que o trabalho tome o rumo da distopia mostrada em Matrix, com a valorização da força e das condições de trabalho humano.