A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 30/11/2020
Segundo Karl Marx, a alienação do trabalho é um efeito, na qual o trabalhador não tem acesso aos bens que ele mesmo produz. Esse conceito pode ser totalmente inserido na atual “uberização”, onde existe uma relação patrão e empregador, que não enriquece e não garante direitos trabalhistas (até então conquistados pela sociedade). Dessa forma, a “uberização” é uma precarização do trabalho, não só devido à ausência de direitos, mas também pela falsa liberdade que esses aplicativos fornecem.
Em uma primeira análise, observa-se que a “uberização” implica em uma rede de aplicativos que vão desde o deslocamento de um determinado local para outro, até receber compras de mercado na porta da residência. Os trabalhadores desses aplicativos podem definir quantas horas e quais dias da semana vão trabalhar, a princípio não parece ser ruim. Porém, os valores, que são definidos pelas empresas, não costumam ser altos e a empresa também recebe porcentagem desse mesmo valor. Logo, esses empregadores costumam fazer em média uma jornada de trabalho de 12 horas por dia, para receber um valor que de para sustentar sua família.
Em uma segunda análise, é um fato que a população brasileira lutou pelos direitos trabalhistas que possuem, com manifestações, greves e movimentos sindicalistas. Entretanto, os funcionários desses aplicativos, além de possuírem jornadas de trabalho extensas, não possuem férias, décimo terceiro ou até mesmo se ficam doentes não recebem ajuda alguma, logo não recebem nenhuma renda. Dessa forma, fica claro que trabalhar em meio a tantas incertezas e inseguranças somente é possível devido à falta de melhores oportunidades, tendo em vista a crise econômica do país.
Portanto, com o objetivo de garantir os direitos trabalhistas conquistados, é necessário que o senado e a câmera dos deputados , protejam os direitos desses trabalhadores, a partir da definição de salários mínimos e assistências em caso de acidentes ou doenças, esse processo pode ser feito por meio de legislações. Logo, impedirá que a alienação do trabalho, proposta por Karl Marx, se concretize.