A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 05/12/2020
A partir da década de 70, houve um intenso desenvolvimento tecnológico no Vale do Silício nos Estados Unidos devido a Guerra Fria, a qual ocorria no período. Tal progresso principiado nos EUA corrobora para a ‘‘uberização’’ dos serviços, isto é, facilitar as trocas de informações, mercadorias e capitais entre consumidores e prestadores de serviços através de aparelhos digitais. Todavia, essa praticidade tem um preço: a precarização do trabalho.
Em primeira instância, utilizar aplicativos para trabalhar pode ser uma vantagem, pois amplia a clientela. Entretanto, não há garantia de direitos trabalhistas, já que esse modo de trabalhar caracteriza-se como informal, na maioria das vezes. Provas da precariedade da ‘‘uberização’’ são as greves dos entregadores em diversas metrópoles do Brasil em 2020 contra aplicativos de entrega, como ‘‘IFood", ‘‘UberEats" e “Loggi”, os trabalhadores exigiam melhores condições de serviço e de remuneração. Logo, existe uma regressão para uma situação análoga à primeira e segunda revolução industrial, quando não existia uma plena proteção aos empregados.
Outrossim, há uma outra modalidade de automação além dos apps de entrega de comidas: o ‘‘home office’’, que consiste em trabalhar na própria casa apenas pelo computador. Esse modo de exercer o labor não é uma forma eficiente, uma vez que por culpa do horário flexível e contato frequente com a família, o serviço perde a qualidade. Portanto, ter liberdade para trabalhar na hora que convém é o mesmo que diminuir a qualidade do serviço prestado.
Em suma, a tecnologia empregada em excesso no setor terciário abre portas para um recuo tanto nos atributos do ofício quanto nos direitos básicos do trabalhador. Assim sendo, para mitigar esse impasse a Organização Internacional do Trabalho(OIT) deve exigir dos apps a promoção de direitos básicos para os entregadores por intermédio de reuniões com os representantes das companhias. Também é necessário ter a divulgação de vídeos em sites oficiais da instituição, que expõem como se deve trabalhar no ‘‘home office’’ para que o produto\serviço não perca excelência. Só assim, agilidade, qualidade e bem-estar do trabalhador estarão no mesmo plano.