A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 01/12/2020

O alemão Max Weber, um dos principais teóricos da sociologia, no viés político dessa área, contribuiu com a Teoria da Dominação, que trata dos modos de poder existentes nas sociedades. A respeito da dominação legal, ocorrente por meio das leis e suas aplicações, é evidente um distanciamento de sua efetividade, sobretudo no que se refere à “uberização”, um tipo de serviço com menos intermediários e, consequentemente, menos leis trabalhistas. Essa problemática está sustentada por uma apatia governamental com a situação, além de uma deturpada perspectiva social a respeito do assunto.

Na música “Admirável Chip Novo” da cantora Pitty, o eu-lírico narra que sempre acreditou ser um humano, todavia é apenas um robô que não possui sequer um coração. Nesse sentido, as atitudes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário devem ser questionadas, haja vista que os profissionais, como entregadores dos aplicativos, não possuem direitos trabalhistas, atuando apenas como meras máquinas. Pode-se comparar tal aspecto como uma “Bioquímica Social”, pois as pequenas partículas componentes de um corpo, quando não atuam adequadamente, podem adoecê-lo. Nesse caso, trata-se de órgãos vitais inteiros, os poderes da República, os braços, o cérebro e o coração do país, que, juntos, são responsáveis pela saúde nacional e, portanto, devem resolver as questões relacionadas à precariedade enfrentada por esses empregados modernos, garantindo o mais básico: seus direitos.

Entretanto, essa adversidade não se resume apenas à inconsequência dos poderes, mas também a uma ofuscada percepção da sociedade civil em relação àquilo que acontece no meio social. Tal vertente está relacionada a um capital cultural edificado sobre baixa ou dubitável escolarização, que estagna o processo evolutivo dos cidadãos. Dessarte, a formação humana é determinante para a “sucessão ecológica” das pessoas, ou seja, o progresso tem que ocorrer de modo a conseguir o máximo  de desenvolvimento possível. Sendo assim, compromete essencialmente a ação dos indivíduos na busca por projetos capazes de oportunizar que todos tenham conhecimento das situações as quais estão submetidos os trabalhadores, como os de empresas de “delivery”, para que juntos, possam exigir melhores condições de emprego e garantias constitucionais; a aposentadoria, por exemplo.

Portanto, para resolver-se o impasse, é preciso a união das forças dos governos e do povo. Para tanto, é fundamental que ações mais eficientes sejam empregadas. Nesse âmbito, é essencial que os órgãos de regulamentação brasileiros façam as devidas cobranças em companhias responsáveis, visando proteger os trabalhadores dessa precariedade disfarçada de liberdade. Além disso, as escolas e as entidades midiáticas podem sediar eventos e debates que, assim, fomentem uma maior nitidez quanto à importância de garantia dos direitos trabalhistas. Somente assim, será possível alcançar a sanidade.