A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 01/12/2020
“Uberização” é o termo que está sendo utilizado para descrever a mais nova revolução industrial. Com o aumento do uso de tecnologias e a chamada economia compartilhada. Nela a pessoa vende algum serviço de forma independente, normalmente via internet. Esse método e tendência macroeconômica pode até baratear serviços, porém ela está impactando negativamente o ambiente de trabalho. A “Uberização” do trabalho na era tecnológica é precarização já que a uma busca mais elevada de trabalhos informais.
A “uberização” está trazendo uma falsa sensação de liberdade para os trabalhadores já que há um objetivo a ser cumprido por trabalhador e isso é decidido pelo algoritmo. O algoritmo tende a focar na remuneração mínima. Como Ludmilla, pesquisadora do CESIT- Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho do Instituto de Economia da Unicamp, já citou em um entrevista: “Eles trabalham como querem, de fato, mas estão subordinados a uma série de regras que são onipresentes, sem garantia sobre remuneração, tempo de trabalho, custos e até acidente”.
Também a um acontecimento que mostra o quanto a “uberização” está afetando negativamente a vida dos trabalhadores foram as greves do entregadores pedindo por mais direitos. Como a “uberização” trabalha na sua maioria com trabalhadores informais que vendem seus serviços independentemente e como isso é algo novo o nosso país ainda não tem estrutura e nem leis para o bom e efetivo funcionamento desses sistemas. Com o crescimento desses serviços durante a pandemia ficaram mais evidentes os problemas gerados com isso como a baixa remuneração, longos períodos de trabalho, perigos, falta de assistência entre outros.
Com todo o que foi dito podemos concluir que a “uberização”, no momento, não traz muitos benefícios para os trabalhadores, apesar de fazer para os consumidores. A única forma de balancear é através de leis. As grandes companhias que moderam e disponibilizam os aplicativos precisam ser restringidas dando mais direitos para os trabalhadores como uma remuneração proporcional ao trabalho e mais pessoas trabalhando no lugar do algarismo. O melhor meio para isso acontecer é levar para o ministério do trabalho. Com a conquista de mais direitos e uma regulamentação mais rígida, só assim, a “uberização” trará liberdade e não precariedade para a vida dos trabalhadores.