A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 01/12/2020

A “Uber” foi fundada em 2009, na Califórnia, e tinha como objetivo oferecer corridas particulares por um preço irrisório. Com o sucesso, o modelo de negócio baseado na individualização dos funcionários serviu de inspiração à uma série de outras empresas. Desde então, debate-se os graves efeitos da chamada “uberização” da economia.

Em primeira análise, é fulcral pontuar que a “liberdade” oferecida por essa nova modalidade de trabalho é ilusória. Isso se deve à maneira como ela é oferecida em contraste com seu real funcionamento. O estilo “uber” de trabalho emula a atividade empreendedora, colocando o funcionário como “dono” dos seus meios de produção e único responsável por seu faturamento. Todavia, esse estilo de negócio descaracteriza o trabalhador como um suporto empresário, não lhe garantindo direitos básicos como a aposentadoria pelo Estado e seguro no caso de acidente no ambiente de trabalho. Com isso, a “liberdade” econômica oferecida torna-o refém de sua produtividade.

Concomitante a isso, essa inovação na maneira de oferecer serviços é extremamente prejudicial à saúde dos que estão inseridos nela. É sabido da independência financeira oferecida pelos aplicativos associados à essa nova realidade, porém, pouco se fala a respeito dos altos custos envolvidos no empreendimento. Longas jornadas de trabalho, ausência de férias, bem como o risco de vida oferecidos por alguns locais onde ocorrem as corridas são exemplos dos rotineiros desafios enfrentados por essa nova classe de trabalhadores.

Destarte, nota-se o desastroso impacto da “uberização” da economia frente à classe popular. Para manter os benefícios da nova modalidade sem prejudicar os trabalhadores urge que a Câmara, juntamente ao Senado, implementem uma regularização desses aplicativos por meio de projetos de leis que englobem a nova classe de trabalhadores como assalariados, dando a eles acesso aos direitos trabalhistas. Somente assim pode-se dirigir o Brasil em direção ao progresso.