A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 01/12/2020

A Consolidação das Leis do Trabalho no governo Getúlio Vargas foi um marco na história brasileira, pois deu direitos à classe que por anos fora explorada por um sistema escravocrata. No entanto, atualmente as pessoas fogem de um trabalho com direitos garantidos para um mais autônomo, devido à precarização da mão de obra, marcada pela mentalidade escravista que se perpetua na sociedade brasileira.

Precipuamente, é evidente a precarização da mão de obra brasileira, especialmente a manual, de pouca qualificação. Esse fato é conceituado como a formação do “precariado”, termo de Ruy Braga, e é marcado pela desvalorização do trabalho braçal em privilégio do intelectual, revelando a influência iluminista na sociedade, que valorizava acima de tudo a racionalidade expressa pela qualificação e erudição. Assim, é necessário que esse quadro seja revertido por meio de medidas tomadas pelas autoridades brasileiras.

Além disso, a continuidade da mentalidade escravista se demonstra pela exploração do trabalho dentro dos estabelecimentos laborais. Os trabalhadores diante desse quadro de desigualdade clara optam por alternativas de se sustentar. Isso compõe o fenômeno da chamada “uberização” do trabalho, em que eles podem ser autônomos sem serem explorados, mesmo que isso signifique que não terão seus direitos garantidos pela CLT. Dessa forma, entende-se uma das razões pelas quais esse fenômeno é expressivo.

Portanto urge que que medidas sejam tomadas pelo Ministério do Trabalho, para que esse quadro de desvalorização e precarização do trabalho seja revertido. Isso deve ocorrer por meio da fiscalização por profissionais treinados das condições dentro dos estabelecimentos laborais, onde geralmente ocorre a exploração dos trabalhadores. Para que essas pessoas tenham condições dignas de se sustentarem pela sua força de trabalho e os direitos da CLT lhes sejam assegurados.