A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 02/12/2020

(Obs: solicito, se possível, a correção nos moldes da banca Vunesp)

A criação da CLT no governo Vargas foi comemorada pela massa de trabalhadores que a tempos estava submetida às condições precárias dos ambientes fabris. Contanto, nos dias atuais, as leis trabalhistas não são os principais requisitos na busca de um emprego. Diante do contexto de terceirização empresarial, a ascensão de contratos desburocratizados foi uma das formas de redução de gastos e de liberdade administrativa das empresas na era tecnológica. A esse fato deu-se o nome de “uberização”, o qual faz referência à empresa uber que está inserida nessa realidade. Nesse sentido, o exercício do trabalho ganhou liberdade, assim como se desprendeu das leis de amparo ao trabalhador.

Nesse viés, é importante pontuar a tendência neoliberal que vigora na esfera econômica. O neoliberalismo, doutrina em ascensão pós Segunda Guerra, flui em consonância com a globalização, que elevou ideais de liberdade frente às inovações tecnológicas que visavam a comunicação global , de modo que segundo esse o Estado se fez cada vez mais distante das relações econômicas. Sendo assim, afastados da intermediação estatal, empresas se tornam multifacetadas por meio da adaptação aos múltiplos perfis de funcionários, valorizando as liberdades e se afastando dos paradigmas antes presentes, como a formalidade do ambiente de trabalho e das relações hierárquicas, possibilitando um ambiente desconcentrado e relações menos rígidas. Entretanto, a concessão de liberdade se dá juntamente com a responsabilização do operante pela sua condição de trabalhador, não havendo, portanto, normas que o garanta, por exemplo, férias, jornadas e salários mínimos.

Ademais, a crise econômica que abarca grande parte do mundo fez da informalidade a principal solução dos problemas financeiros individuais. Essa modalidade de trabalho confere ganhos mais fáceis, as vezes diários, além de estar fortemente presente no mercado. Todavia, abdicar dos direitos trabalhistas acaba por criar uma realidade de competitividade entre os trabalhadores e ascender ideais meritocráticos, já que a frase “tempo é dinheiro” a tempos não se fazia tão real. Diante dessas condições, a precarização das atividades laborais ganha espaço, isso é evidente nas longas jornadas, na baixa renda mensal, na ausência de férias remuneradas que os trabalhadores voltam a se submeterem.

Portanto, uberizar o trabalho como benefício das empresas diante da pluralidade tecnológica é precarizar a realidade de trabalhadores que se veem desamparados pelos direitos já conquistados, fator que agrava o abismo socioeconômico entre os grandes proprietários e a mão de obra.