A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 04/12/2020

A Revolução Industrial, com início no século XVIII, proporcionou diversos avanços no mundo moderno, incluindo no campo tecnológico. Diante disso, é notório os reflexos desses avanços na hodiernidade. Portanto, a tecnologia tem tomado espaço no mercado de trabalho,  originando o conceito “uberização”. Dessarte, a alta na prática dessa modalidade trabalhista, ora pela dinamização da oferta e demanda, ora pela baixa qualidade de vida dos trabalhadores, traz resultados positivos e negativos.

Primeiramente, é indubitável que a Quarta Revolução Industrial concomitante ao setor trabalhista trouxe facilidades ao consumidor. Consoante Zygmunt Bauman, a sociedade atual encontra-se em uma modernidade líquida, na qual o imediatismo faz-se fortemente presente. Nessa perspectiva, a uberização, ao acelerar o serviço prestado na mesma proporção que simplifica o processo por meio dos equipamentos tecnológicos, é bem aceita pelo consumidor. Destarte, a sociedade líquida, proposta por Bauman, é, em partes, beneficiada pelo uso dos meios tecnológicos no serviço, uma vez que traz velocidade ao consumo.

Em segundo plano, é indiscutível salientar que o trabalhador informal, proveniente da uberização, porta condições precárias de emprego. Segundo o Art. 6 da Constituição Cidadã de 1988, o trabalho é um direito civil da população brasileira. Todavia, apesar do surgimento de novos empregos provenientes dessa prática, a informalidade acarreta a diminuição da qualidade de vida do trabalhador. Em continuidade, a imprudência, pela falta de legislação, fomenta a transgressão dos direitos trabalhistas.

Em suma, diante dos argumentos supracitados, é ostensivo que medidas devem ser tomadas para coibir a problemática da uberização do trabalho. Assim, cabe ao Ministério do Trabalhador formalizar tal modalidade, a fim de aumentar a qualidade de vida dos empregados. Outrossim, por meio de mudanças legislativas, com a contribuição da divulgação dos direitos trabalhistas, poder-se-á dispor de um Brasil mais justo.