A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 07/12/2020

A recessão econômica, que teve início em 2014, trouxe para o Brasil a realidade do desemprego estrutural. Esse tipo de ambiente cria oportunidade para péssimas condições de trabalho e a falta de direitos básicos. Portanto, a precarização do proletariado se reafirma dentro dos trabalhos virtuais, por meio de empregos em aplicativos e, mais recentemente, a ascensão do home office. Assim, a visão de seres humanos como máquinas só se enraíza com o cenário brasileiro, sendo necessária a intervenção federal no assunto.

Inicialmente, destaca-se que o trabalho com carga horária alta já foi realidade na Primeira Revolução Industrial. A exemplo disso, o filme Tempos Modernos traz uma crítica à alienação sofrida pelos trabalhadores, não só por meio de horários extensos, como tambem pela repetição. Apesar da obra cinematográfica representar a vida no século 19, os entregadores de aplicativos passam por essa situação no século 21. Atualmente, vemos esses empregados enfrentarem 12h por dia, sem horário para se laimentar, descansar ou até mesmo beber água. Tal situação só represernta a “Teoria do Precariado”, do sociólogo Ruy Braga, na qual ele teroiza que o proletariado está sofrendo precarizações significativas com a ascensão da tecnologia.

Nessa conjuntura, o estudo do geográfo Klaus Schwab, “Economia 4.0”, evidencia como os indivíduos estão sendo afetados pela Revolução Técnico-Científico-Informacional. Esse fator cria base, principalmente, na pandemia da COVID-19, em detrimenbto dos funcionários trabalharem diretamente de casa, já que é necessário fazer isolamento social. Como eles não têm um horário definido para “largar o expediente”, essa forma de exercer acaba influenciando a visão do empregado como máquina, visto que ele tem uma jornada de trabalho exaustiva, tanto física como mentalmente.

Em suma, a necessidade de reformas na CLT é mais do que urgente, considerando as novas formas de trabalho. Por isso, urge que o Legislativo inicie a inclusão destes na CLT, por meio de reuniões públicas com os sindicatos que representam esses trabalhadores. Isso deve ser feito para garantir os direitos básicos dessa classe, atendendo suas necessidades e criando um ambiente mais seguro para o exercício de suas profissões. É necessário, também, a iniciativa público-privada de ministrar cursos e palestras virtuais sobre o tema, apresentando para toda a hierarquia na empresa a forma certa de realizar o home office, respeitar e organizar o tempo, aumentando o bem-estar desses funcionários e a divisão de seus afazeres domésticos.