A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 07/12/2020
Fordismo é o nome dado ao modo de produção em massa idealizado por Henry Ford. Esse sistema de produção surgiu como forma de tornar os produtos acessíveis ao mercado consumidor, na medida em que reduziu o custo da produção e barateou os artigos produzidos. Desde então, os produtores vêm tentando obter cada vez mais lucro no que vendem. No Brasil, esse processo pode ser comparado à uberização do trabalho, já que visa extrair o máximo da mão de obra de trabalhadores sem direitos trabalhistas, assim os precarizando.
Em primeira análise, é necessário destacar que a crise econômica, e a desigualdade social em geral, influenciaram muitas pessoas a trabalharem por aplicativos, já que não há necessidade de formação escolar e nem currículo. A conveniência que os aplicativos trazem é vista como um dos principais fatores da entrada de novos usuários para trabalhar, como a flexibilização do horário. Entretanto, os funcionários estão a mercê de falta de internet e instabilidade econômica. De acordo com o IBGE, 4 milhões de pessoas trabalham para empresas de aplicativos de serviços no Brasil sem vínculos trabalhistas, mostrando como há muitos brasileiros sem garantias trabalhistas, como auxílio doença, férias remuneradas, 13º salário e previdência social.
Outrossim, para ganhar o mínimo para sobreviver, esses trabalhadores autônomos precisam trabalhar muitas horas por dia, sem a alimentação e o descanso essenciais. Além disso, também devem arcar com os custos do trabalho e dos equipamentos necessários, como carro, motocicleta, bicicleta, mochila térmica, entre outros. Essa concentração fica ainda mais preocupante quando percebe-se que, segundo um estudo recente da Associação Aliança Bike, os cerca de 30 mil ciclistas entregadores de app da cidade de São Paulo trabalham, em média, 12 horas por dia, durante os sete dias da semana, para ganhar menos de mil reais por mês.
Com o intuito de amenizar a situação, e assim diminuir a precarização do trabalho, que pode ter como consequência impactos negativos na vida do trabalhador, é necessário que a mídia, enquanto formadora de opinião, não romantizar a situação de indivíduos que se encontram trabalhando muito para receber pouco, visando assim diminuir as pessoas que buscam trabalhar em aplicativos. Já o Poder Legislativo, no que lhe concerne, deve realizar um projeto de lei que regularize os serviços prestados via plataformas digitais, com aplicação de multa a quem não cumprir. Assim, garantindo um suporte ao trabalhador.