A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 07/12/2020

Com o advento da Terceira Revolução Industrial, houve uma crescente terceirização da economia e um aumento alarmante no número de desempregados, já que, com a globalização e a educação de qualidade cada vez mais inacessível, a massa de trabalhadores não consegue se adequar às novas condições laborais devido à falta de qualificação técnica. Nesse contexto, surgiu o fenômeno da “uberização” e, como resultado, há uma precarização das relações trabalhistas e um aumento da desigualdade, já que a visão deturpada, trazida pelo ideal do mundo globalizado, de que todos podem ser “os próprios patrões” mascara as novas formas de exploração.

Primeiramente, é importante pontuar que, com as novas tecnologias, o mercado passou a exigir uma maior formação técnica das pessoas. Entretanto, com a expansão do neoliberalismo, os países, principalmente os mais pobres, passaram por um processo de descentralização de sua gestão em prol de capitais estrangeiros e de uma preocupação voltada apenas para o mercado. Como foi dito pelo geógrafo Milton Santos, essa desburocratização e esse enfraquecimento das soberanias nacionais resultaram em uma mudança nos modos de produção que não foi acompanhada pelo setor educacional, o que propiciou o surgimento do chamado “exército de reserva”: massa de desempregados que se submetem a condições precárias devido à falta de oportunidades.

Como consequência dessa modernização exclusiva do processo produtivo e de um cenário pessimista para os empregos formais, as pessoas buscam alternativas de sustento. Trabalhadores de aplicativos, como Uber e iFood, sofrem com a falta de estabilidade financeira e com a perda de direitos trabalhistas, mas, mesmo assim, acabam se mantendo nestas situações de exploração devido à ausência de possibilidade de escolha. Enquanto isso, as empresas investidoras reduzem os custos com o serviço realizado e aumentam seus lucros sobre os baixos salários dos trabalhadores, o que intensifica cada vez mais o problema da desigualdade e deixa evidente a contradição do sistema, que precisa da capacidade de compra desses mesmos trabalhadores.

Assim sendo, fica nítida a necessidade de regulamentar o ramo de serviços terceirizados a fim de que nenhum trabalhador sofra com essa nova forma de exploração chamada de “uberização”. Portanto, é importante que a Organização Internacional do Trabalho, em parceria com os governos federais, atue garantindo direitos básicos, como o estabelecimento de salários mínimos, e exigindo que as empresas arquem com os gastos advindos do exercício do trabalho. Além disso, é necessário que haja um maior direcionamento de verbas, por parte dos Estados, para o setor educacional, com o intuito de formar pessoas aptas ao mercado e de reduzir as desigualdades, que assolam o globo como um todo.