A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 07/12/2020

No Brasil, no ano de 2021, houve a primeira manifestação entre os entregadores de aplicativo da história do país. Nesse dia, todos eles se mobilizaram, com o intuito de protestar contra suas atuais condições de trabalho. A partir disso, é possível questionar sobre a “uberização” do trabalho, seria esta algo realmente libertador ou precário?

Em primeira instância, a autonomia que os trabalhadores de aplicativos aparentam ter é algo muito convidativo, afinal, os aplicativos garantem flexibilidade, liberdade e retorno financeiro rápido, todavia, é necessário deixar claro a relação entre as leis trabalhistas e esse tipo de trabalho. Esses trabalhadores não têm qualquer vínculo empregatício com as empresas, ou seja, por não serem contratados formalmente, se eles não trabalharem eles não recebem. Basicamente, eles não têm direitos ou garantias trabalhistas, isso implica em falta de coisas como auxílio doença, férias remuneradas, 13º salário e previdência social. Além disso, esses trabalhadores estão vivendo em uma sociedade estamental, ou seja, é impossível que eles enriqueçam trabalhando por aplicativos.

Segundamente, é necessário comparar o desemprego e a variação de renda dos trabalhadores de aplicativos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no terceiro semestre de 2020, a taxa de desemprego aumentou 13,1%, como uma alternativa a isso, o número de trabalhadores de aplicativos aumentou, com isso, os ganhos por serviços, que são variáveis devido a falta de leis trabalhistas aplicadas a eles, diminuiu. Causando dessa maneira, uma insegurança e a pressão psicológica nesse trabalhadores.

A partir dos argumentos supracitados, é possível concluir que a “uberização” do trabalho é precária. Para que esse trabalho se torne algo libertador, é possível usar as ideias de “bem estar social” de John Keynes e, a partir desse momento, o Ministério do Trabalho deve alterar as leis trabalhistas sejam mais rígidas e comecem a se aplicar esses trabalhadores.