A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 08/12/2020
Com a “Quarta Revolução Industrial", que tem como base o desenvolvimento tecnológico, houve uma mudança no mercado, surgindo um modelo de negócios sob demanda. A consequência desse novo comportamento é a uberização do trabalho, onde há uma modernização das relações trabalhistas decorrente da popularização dos aplicativos de contratação de serviços. Essa dinâmica, apesar de dar muita liberdade aos trabalhadores, também pode ser apontada como sinônimo de precarização do trabalho.
Primeiramente, com o aumento do desemprego, cada vez mais pessoas vêm se vinculando com os aplicativos, segundo estatísticas da Análise Econômica Consultoria, o número de trabalhadores de aplicativos de entregas de refeições cresceu 158% no primeiro semestre de 2020, resultando então em uma baixa nos ganhos por serviço, significando que, para receber a mesma quantia que ganhava há um ano, um entregador por app, por exemplo, precisa realizar o dobro de entregas. Além disso, os entregadores devem se preocupar com a qualidade dos serviços, pois são avaliados pelos usuários. Os trabalhadores precisam ter uma boa pontuação para continuar recebendo demandas e não serem bloqueados do app.
Segundamente, é importante citar que, os trabalhadores que prestam serviços aos aplicativos, por não terem nenhum vínculo empregatício com as empresas, acabam sendo privados de alguns direitos e/ou garantias trabalhistas, como auxílio doença, férias remuneradas, 13º salário e previdência social. Além disso, pelo seu salário ser baseado no número de horas trabalhadas, para garantir o necessário para sobreviver, o indivíduo tem que trabalhar por um longo período de horas diária, sem a alimentação e descanso essenciais. Segundo um estudo recente da Associação Aliança Bike, os cerca de 30 mil ciclistas entregadores de app da cidade de São Paulo trabalham, em média, 12 horas por dia, durante os sete dias da semana, para ganhar menos de mil reais por mês.
Levando em conta tudo que foi citado, fica claro que são necessárias mudanças para que haja uma melhora nas condições de trabalho propostas. Cabe ao Governo criar projetos de lei que garantem os direitos necessários aos trabalhadores, e fiscalizar se as empresas responsáveis pelo empregamento estão agindo seguindo o que for proposto. Além disso, o Governo, junto a mídia, pode criar campanhas que oferecem dicas aos profissionais sobre como lidar com a uberização, ajudando-os a ficarem mais cientes de seus direitos e de como agir nesse novo meio.