A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 07/12/2020
Na contemporaneidade é evidente um numero cada vez maior de trabalhadores vinculados a empresas que disponibilizam tecnologia para viagens de carro e entregas de produtos. Esse novo modelo de atividade produtiva impulsionado pela Quarta evolução Industrial forma a “uberização” do trabalho na era tecnológica, que vem acompanhado de uma carga ideológica de liberdade e autonomia profissional, no entanto, forma uma realidade de classe trabalhadora com menos direitos. Diante desse cenário, é preciso que o governo garanta os direitos trabalhistas da população.
Antes de tudo é preciso ressaltar que a perspectiva da Indústria 4.0 na contemporaneidade ocasionou na ressignificação do mercado de trabalho. Isto é, com uma ascensão digital, a presença cada vez maior da tecnologia em toda esfera trabalhista e o uso de software como elemento primordial da economia, as atividades produtivas perderam os limites físicos e temporais, dada uma maior conectividade entre as instituições e os empregados. Sendo assim, é notório o surgimento de novos modelos de trabalho, como o home office, a realização de viagens de carros conciliadas por aplicativos, como o Uber, e a realização de entregas por plataformas digitais, como Ifood e Rappi. Visto isso, nota-se que a quarta Revolução Industrial veio acompanhada de um incentivo ao empreendedorismo, que forma um cenário no qual, em teoria, todos podem ser profissionais autônomos.
Todavia, é evidente uma problemática na “uberização” do trabalho na era tecnológica, que passa uma falsa impressão de liberdade e, como desdobramento disso, impulsiona cada vez mais pessoas para um micro empreendedorismo nocivo. Isso fica claro ao se analisar uma analogia realizada no vídeo “Home Office”, do canal Tempero Drag, no youtube, no qual a apresentadora Rita Von Hunty intitula a esfera de trabalho em deliverys por meio de aplicativo como limbo trabalhista. Isto é, o incentivo a profissionais autônomos, oriundo da disponibilidade de tecnologia pra trabalho proporcionado por empresas bilionárias, forma uma realidade de profissionais que, por necessidade de se sustentar, viram os ditos parceiros das grandes instituições, porem, isentos de direitos trabalhistas fundamentais, visto que, no caso de um fato trágico, nenhuma parte (empresa que proporciona tecnologia, restaurante que forneceu o produto e cliente que financia a entrega) irá se responsabilizar pelo ocorrido.
Portanto é preciso que órgãos do governo, como o Ministério do Trabalho, se prontifiquem em combater a precarização do trabalho na perspectiva digital da contemporaneidade. Essa iniciativa deve ocorrer por meio de uma mudança legislativa que obrigue as empresas que disponibilizam tecnologia a garantir direitos trabalhistas para os motoristas e entregadores, visando a segurança de trabalho para eles.