A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 08/12/2020
Vive-se em uma era moderna, portanto é natural que os meios de trabalho acompanhem essa evolução tecnológica. Porém, o que se tem questionado nos últimos tempos é se esta ascensão não está diminuindo a quantidade de empregos, já que, o meio digital, muitas vezes, exerce funções humanas. Mas, em contrapartida, a tecnologia tem aberto margem para a possibilidade de trabalhos informais, distanciando algumas pessoas da miséria, no entanto nem sempre estes cidadãos trabalham de forma segura, já que na maioria das vezes não há regulamentação.
A priori, é sabido que o século atual foi marcado por diversas elevações na tecnologia, e aqueles que não a acompanharem ficarão para trás. Vive-se em uma sociedade desigual, em que nem todas as pessoas terão condições de portar aparelhos tecnológicos, ou pagar por cursos profissionalizantes dentro da área, para que venham a trabalhar neste campo. Uma vez que o Estado não proporciona estes cursos gratuitamente, ou diminui os impostos, o que ocasionará na diminuição de preços da comercialização dos aparelhos tecnológicos, torna-se uma das variáveis para a desigualdade social. O filme “Matrix’’ revela, de forma metafórica, que as máquinas além de ocuparem trabalhos humanos, podem ocupar suas vidas, suas mentes, e aqueles que escolhem se opor a isso terão que lutar para conseguir viver na sociedade.
Em segundo lugar, sabe-se que o trabalho informal tem gerado uma forma alternativa de renda para aqueles que não possuem um trabalho fixo. A exemplo disto temos a Uber, Ifood, Rappi, e as outras centenas de empresas que trabalham com o mercado digital, em que uma das funções é entregar mercadorias de diversos empreendimentos, e para isto basta ter uma moto ou um carro e carteira de motorista. O que vira um questionamento importante é que a maioria destas pessoas não possuem carteira assinada, muito menos salário fixo e garantia de cobertura em casos de acidentes. Nesta situação, eles são empregados e chefes de si mesmo ao mesmo tempo. O filme “Você não estava aqui’’ conta a história de uma família que está endividada e precisa arriscar com trabalho informal sem garantias contratuais, evidenciando as diversas dificuldades que podem vir a acontecer neste ramo.
Conforme foi argumentado, é necessário que o Ministério do Trabalho proporcione cursos gratuitos para aqueles que não tem a oportunidade do acesso a meios tecnológicos, bem como o Estado deve traçar estratégias que diminuam o preço dos aparelhos digitais, desta forma haverá uma diminuição da desigualdade social, pois muitas pessoas terão acesso ao mercado de trabalho digital. É importante também que o Ministério do Trabalho exija a regulamentação do trabalho informal, para que as pessoas não trabalhem de forma insalubre e possuam condições dignas em seus empregos.