A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 27/12/2020
No contexto das Revoluções Industriais, à partir do século XIX, a relação dos trabalhadores com as novas tecnologias que surgiam no mercado de trabalho não era das melhores. Porém, se antes as inovações tecnológicas eram um problema, hoje, com a popularização de aplicativos de serviço, como “Uber” e “Ifood”, elas são a solução para os cidadãos que estão em busca de alguma renda. Porém, apesar de dispôr de benefícios, o crescimento da chamada “uberização” do trabalho, reafirma a existência de problemas sociais e econômicos de grande relevância para a sociedade.
Em primeiro lugar, é válido reconhecer como esse panorâma supracitado é consequência direta das dificuldades da educação no país. À medida que os jovens estão se formando cada vez mais sem o currículo adequado, mais as ofertas de emprego formais exigem especializações. Como consequência, maior número de pessoas busca por tais trabalhos temporários, não pela liberdade oferecida, mas pela falta de oportunidade.
Além disso, vale salientar como a “uberização” não supre necessidades trabalhistas básicas. Como exemplo disso, pode-se mencionar o protesto realizado por motoboys de aplicativos de delivery no ano de 2020, durante a pandemia de covid-19. Esses entregadores reivindicavam melhores condições de trabalho e melhores salários. Sendo assim, é notável que a realidade da maioria dos empregados por aplicativos de serviço, encontram-se em uma realidade trabalhista distante do ideal.
Portanto, é notável que esse tipo de organização trabalhista reflete muito mais a precarização do que a liberdade no trabalho na era tecnológica, logo, medidas para mitigar essa problemática são necessárias. Para tanto, o Ministério da Educação deve incentivar o ingresso de jovens brasileiros na educação superior com a abertura de um maior número de vagas nas úniversidades públicas, juntamente com o aumento de verbas direcionadas a esse setor. Espera-se com isso que nos próximos anos mais jovens estarão capacitados para o ingresso formal no mercado de trabalho.