A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 16/12/2020

A “uberização” é uma tendência econômica, que usa a tecnologia da Quarta Revolução Industrial, para monetizar diversos tipos de serviços, baseia-se na ideia de terceirizar atividades, pois diminiu o número de intermediários entre o contratante e contratado. Entretanto, tal movimentação não é completamente favorável aos trabalhadores, já que ao oferecerem suas ocupações por aplicativos são classificados como autônomos, expondo-se a riscos por não terem vínculo empregatício. Nesse contexto, surge o questionamento sobre esse trabalho da era tecnológica, se ele é precário ou mais livre, seja pela negligência governamental, seja pela falta de compreensão das pessoas à respeito da necessidade dos empregos formais.

Em primeiro lugar, destaca-se a irresponsabilidade do governo que mantem as altas taxas de desemprego, o que fomenta a precarização do trabalho. Segundo o sociólogo Emile Durkheim, na sua teoria do fato social, as mudanças coletivas têm ação direta no comportamento individual. Análoga à ideia do pensador, se dá a situação no país, visto que sem chances de obter emprego formal, as pessoas se sujeitam aos aplicativos e a maiores preocupações. Isso porque sem carteira de trabalho assinada, o povo arca com os custos de manter o serviço e os de possíveis acidentes durante o período de trabalho, como é o caso dos entregadores de comida que, por vezes, se envolvem em acidentes de trânsito. Assim, mostra-se quão nociva é a falta de atitudes do governo, que não só precariza os serviços, como também eleva o número de acidentes.

Além disso, nota-se a pouca compreensão dos cidadãos para com a importancia dos empregos formais, o que faz com que tenham a falsa impressão de liberdade ao se alistarem nas plataformas. De acordo com o filósofo existencialista Jean Paul Sartre, “a liberdade é uma prisão”. Nesse sentido, por não compreenderem a precisão da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), deixam-se ludibriar pela ideia de autonomia que os aplicativos passam, vendendo seus serviços por eles quando, na verdade, na maioria das vezes, precisam trabalhar por mais de 12 horas para receber o equivalente a um salário mínimo. Dessa forma, fica claro como essas ferramentas usam do povo para arrecadar mais capital.

Em suma, as questões da despreocupação do governo e o baixo entendimento dos indivíduos acerca da CLT devem ser solucionados. Portanto, cabe ao governo aliado às mídias desenvolver leis e um programa que reajustem o desemprego formal no país, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nesse programa, as informações serão a respeito do trabalho formal, como ele funciona e quais são suas diferenças do trabalho autônomo, com propagandas veiculadas nos canais abertos, para que, assim, a “Uberização’’, enquanto não se formaliza, deixe de ser um trabalho viável.