A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 20/12/2020
Um conceito muito utilizado na Geografia para descrever uma tendência do mundo contemporâneo é o “aniquilamento do espaço pelo tempo”. Essa ideia abrange o fato de que o território se tornou pequeno à medida que grandes distâncias passaram a ser percorridas em curtos períodos. Dessa forma, percebe-se que a globalização fez surgir uma realidade ligada à rapidez e ao uso de tecnologia e, com isso, afetou várias esferas, entre elas a laboral. Nesse âmbito, surgiu o trabalho informal, sem carteira de trabalho assinada, mas com muita facilidade e rapidez. Apesar de uma suposta liberdade ter aparecido, houve, acima de tudo, uma precarização, na qual as relações trabalhistas foram afetadas. Tal problemática persiste por raízes sociais e causa malefícios ao trabalhador.
Em primeiro lugar, é importante destacar que, com o advento da Revolução Industrial e do capitalismo, as pessoas se viram acostumadas a conseguir tudo de maneira simples e rápida, quase que instantaneamente. Esse fator, aliado à dificuldade e grande concorrência na busca por empregos, fez com que a informalidade no ambiente laboral surgisse como uma nova oportunidade e mais um auxílio para que fosse possível estabelecer as novidades da modernidade. Diante desses motivos, o trabalho informal foi ganhando espaço. Nesse contexto, segundo dados do IBGE, no final de 2019, esse tipo de função já havia alcançado quase metade da população ocupada.
Por conseguinte, apesar da praticidade na entrega de produtos e serviços para os cidadãos, há uma degradação do indivíduo que está por trás desse tipo de trabalho. Como não há carteira assinada, ele perde os direitos garantidos a funcionários formais, como férias, décimo terceiro salário, licença maternidade e garantia de transporte e plano de saúde. Por isso, ele acaba prejudicado, já que tem que arcar sozinho com todos esses gastos, além de exercer um expediente exaustivo, pois, muitas vezes, não é estabelecido um horário fixo. Tal realidade é retratada no filme “Você Não Estava Aqui”, no qual o protagonista, vivendo na situação citada, acaba por se endividar e sofre dificuldades financeiras.
Observa-se, portanto, que as razões de ordem social fomentam o aumento do trabalho informal, o qual causa efeitos negativos ao trabalhador. Destarte, medidas são necessárias. Como essa é uma tendência do mundo atual que não dá para reverter, é preciso melhorar as condições de emprego. É dever do governo, no papel do Ministério do Trabalho, garantir direitos a todas as pessoas que estão no mercado ocupacional trabalhista, mesmo que de modo informal, a fim de que não haja desgaste ou desigualdade. Isso deve ser feito por intermédio da ajuda em saúde e transporte e do auxílio financeiro uma vez ao ano para que seja possível que as pessoas que comprovem estarem empregadas tirem férias. Com essas ações, formar-se-á condições melhores no ambiente laboral.