A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 13/12/2020
O termo “uberização”, na era tecnológica, vem cada vez mais sendo empregado, para definir as relações de trabalho que ocorrem por meio de plataformas digitais, nas quais é estabelecido o canal de contato entre prestadores de serviços e clientes. Mediadas por algoritmos, essas plataformas redefiniram o mercado de trabalho, em que parte é afirmado que houve a precarização do trabalho, mas em contraponto afirma-se que aumentou a liberdade do trabalhador frente ao serviço prestado. Tendo em vista essa dualidade, é necessário analisá-la.
Convém ressaltar, inicialmente, as principais causas da precarização do trabalho. Uma delas é o elevado índice de desemprego, como mostram dados do IBGE, o qual a taxa foi de 14,4% em agosto de 2020, sendo a maior registrada desde 2012. Outro fator que dissemina a precarização no mercado de trabalho, é o custo do trabalhador formal, proporcionando o emprego sem registro, tal como ocorre nos aplicativos. Além destes dois fatores há ainda a crise econômica global, onde várias economias, como o Brasil, encontram-se retraídas. Portanto, o cenário econômico empurra cada vez mais o trabalhador para esse tipo de trabalho, para que consiga, mesmo com baixa renda, garantir sua sobrevivência.
Em segunda análise, é dito que os empregos via plataforma proporcionam liberdade ao trabalhador, quando na realidade, é o oposto. Tal fato encontra embasamento na teoria do economista Guy Standing, escritor do livro “O Precariado”. No livro, o autor extingue esse conceito de liberdade, pois inicialmente para aceitar esse tipo de trabalho, a morrer de fome, a escolha do trabalhador não foi livre. Ademais, os aplicativos tendem a trabalhar com metas, as quais o “colaborador” tem que se submeter para receber o dinheiro do serviço. Por isso, ao contrário dos que pregam a liberdade deste serviço por não haver um chefe humano, a prática realizada pelos aplicativos é idêntica ao trabalho comum, sem liberdade de escolha.
Em síntese, a uberização é precária e sem liberdade. Faz-se necessário então que haja maior regulação destes serviços, estipulando regras e leis a cerca deste trabalho, que pode ser feita por meio do Ministério do Trabalho e do Legislativo, a fim de evitar o desemprego e o trabalho informal. Além disso, os aplicativos devem ser mais transparentes nas suas práticas, a fim de mitigar a propagação da sensação de liberdade que lubridia trabalhadores a aceitar eses serviços.