A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 20/12/2020

No filme “Você não estava aqui”, o protagonista é seduzido pela ideia de ser o seu próprio chefe. Entretanto, ela mostra-se não tão aprazível quando coloca a vida dele em risco e retira diversos de seus direitos. Essa é a realidade de milhares de brasileiros. Então, é preciso observar as causas e consequências desse fenômeno, a fim de encontrar alternativas.

Em primeira análise, consideram-se as origens do problema. Desde o advento da internet, as relações interpessoais se transformaram profundamente. Somado a grandes crises econômicas que atingiram o mundo nas últimas décadas, esses fatores criaram oportunidades de trabalho à margem do Estado. Sob essa perspectiva, percebe-se um grande movimento de precarização e informalização desses trabalhadores, que voltam-se a essas vagas pois não encontram espaço no mercado formal.

Em segunda análise, vêem-se os desdobramentos dessa condição. Os trabalhadores ficam reféns de algoritimos e possuem jornadas de trabalho exaustivas para cumprir metas absurdas. Além disso, não há direitos assegurados ou possibilidades de negociação, já que não existe um patrão. Outrossim, intensifica-se a alienação trabalhista, pois o indivíduo não encontra dignidade ou satisfação pessoal no serviço em que exerce. Logo, todas esse cenário contribui para uma exaustão física e mental dos cidadãos, além de uma maior vulnerabilidade.

Em suma, constata-se a evolução constante desse ofício, que cresce junto com a tecnologia e com a globalização. Deste modo, é dever da Secretária do Trabalho, responsável pelas condições empregatícias, regular a nova forma de labor que surge e se expande. Isso deve ser feito por meio da definição da jornada de trabalho e exigência de férias, proteção social e seguro-desemprego, a fim de criar-se uma sociedade segura e consciente.