A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 15/12/2020
A integração da tecnologia com a sociedade contemporânea possibilitou um acúmulo de oportunidades e uma expansão de redes comerciais, entretanto, impactos negativos também surgiram. Nesse sentido, a “uberização” do trabalho na era tecnológica atual proporcionou uma maior precarização do trabalho piorando a vida do trabalhador, ao passo que o discurso de liberdade é enaltecida pelas empresas.
Em primeira análise, é relevante enfatizar que a quarta revolução industrial mistura intimamente a economia e a tecnologia gerando empresas gigantes como a Uber e promove um certa autonomia ao trabalhador. Porém, esse fato é apenas um lado dessa situação, analisando criticamente a rotina dos trabalhadores que sofrem o processo de “uberização”, isto é, trabalhadores informais utilizam aplicativos para realizar serviços sem um vínculo empragatício formal, nota-se um intenso risco à qualidade de vida do trabalhar. Esse problema torna-se perceptível quando um entregador de um aplicativo de entregas, por exemplo, não possui direitos trabalhistas, mas precisa trafegar pela cidade e se arriscar à sofrer acidentes.
Além disso, o discurso das grandes companhias de que existe uma maior liberdade no trabalho e, assim, seria um aspecto positivo, é questionável. Nesse contexto, o filósofo Karl Marx que presenciou a ascensão das fábricas e da precarização máxima do trabalho alertou os funcionários estavam sofrendo um processo de alienação na relação produtiva. Dessa forma, o motorista de aplicativo virtual, torna-se cada vez mais alienado sobre seu trabalho, já que depende exclusivamente do aplicativo para ter clientes, ou seja, ele é dependente do algoritmo da empresa, estando alheio ao seu funcionamento, tal como no início da revolução industrial.
Por fim, é fundamental que o Poder Executivo proteja os trabalhares. Assim, o ele deve propor, por meio do Congresso Federal, uma lei que regulamente esse trabalho, obrigando às empresas promoverem seguros como o contra acidentes e assim proteger minimamente o trabalhador. Assim, gradativamente, o trabalhador será menos precarizado.