A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 15/12/2020

A Terceira Revolução Industrial, ocorrida no século XX, possibilitou o avanço e a popularização dos meios eletrônicos. Com isso, a internet passou a ser mais do que um meio de lazer, se tornando essencial para o mundo do trabalho. A Uberização, termo empregado por especialistas que significa o modo contemporâneo de atividades remuneradas informais, virou um marco da era tecnológica. No entanto, esse modelo de trabalho tem seus lados positivos, a exemplo da grande autonomia do trabalhador, e seus lados negativos, como a perda de direitos garantidos na CLT-Consolidação das Leis Trabalhistas.

Inicialmente, é importante destacar que a autonomia dada pelas empresas de aplicativo é essencial para a rotina de muitos brasileiros. Visando evidenciar isso, a empresa Rappi, uma das maiores no ramo do delivery, incluiu em uma de suas propagandas a rotina de um jovem que era entregador, levantando como principal aspecto, uma possibilidade de ter uma vida extremamente autônoma, com momentos de lazer em qualquer parte do dia. Nesse contexto, existem os estudantes universitários, que por possuírem uma grande demanda de horas de estudo, optam por trabalhos flexíveis para compor sua renda, em contraponto aos empregos formais, que demandam horários longos e fixos. Com isso, fica evidente que esse modelo de conquista de renda veio para suprir as dificuldades de diversas camadas sociais.

Por outro lado, é preciso salientar que a Uberização não trouxe apenas aspectos positivos para a vida do trabalhador. A CLT, criada por Getúlio Vargas, regulamentou as relações empregatícias. Todavia, hoje o cenário brasileiro é outro: uma crise econômica que perdura desde 2013. Essa instabilidade provoca um contexto de mais de 13 milhões de desempregados, segundo o IBGE. Com essa conjuntura, os indivíduos buscam formas de garantir um meio de renda, e os trabalhos de aplicativo têm sido a escolha dessas pessoas, que por não possuírem alternativa, aceitam perder seus direitos essenciais, que são fornecidos em lei, para poder se manter economicamente. É necessário, dessa maneira, que sejam concedidos ações para remediar tal panorama.

Logo, torna-se evidente que embora a Uberização tenha gerado as coisas boas para o trabalhador, medidas são necessárias para excluir seu lado negativo. Assim, o governo federal, por meio do Poder Legislativo, deve fazer uma emenda na CLT, de modo a incluir como digno dos direitos trabalhistas os empregados informais, como os entregadores de aplicativo. Isso irá ocorrer para que esses indivíduos possam ter as mesmas garantias que um funcionário formal de uma empresa, e assim poderá usufruir de uma vida estável. Com tais mudanças, sendo otimista, o país poderá ter um mundo trabalhista justo.