A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 30/05/2021

No mundo hodierno, é cada vez mais presente a conexão aproximada entre produto e consumidor, garantindo uma ideia de praticidade e simplificação nos meios de obtenção da oferta. No Brasil, essa tendência ficou ainda mais exposta na década de 2010, com o advento e crescimento de empresas do ramo de serviços, mas pouco se discute sobre como são formuladas as políticas de trabalho para quem fornece os serviços dessa empresa e sobre como os algoritmos usados por elas podem ser prejudiciais, tanto para usuário quanto para o funcionário.

Primordialmente, a tendência do mercado atual é inserir maquinário substituindo mão de obra humana, porém não está sendo feito de forma orgânica. À medida que o trabalhador é visto como “não essencial”, começa uma corrida desleal contra as máquinas, sendo exigido cada vez mais que seu rendimento se pareça com o de robôs. Exemplificando esse fato, o número de acidentes de trânsito envolvendo entregadores de aplicativo tem crescido, propiciando não só insegurança, como também falta de perspectiva para o entregador, caso aconteça algo e ele não consiga arcar com seus compromissos financeiros por não estar trabalhando.

Dessa maneira, o algoritmo impulsiona o mercado de vendas, mas condiciona esse crescimento a uma dependência psicológica do usuário e laboral do distribuidor. São recorrentes as “superofertas” veiculadas nesses meios, atraindo a atenção do consumidor de forma irresponsável quanto à saúde, o meio ambiente e a economia. Posteriormente, o funcionário que atende a esses pedidos precisa cumprir metas surreais de trabalho por ganhar taxas extremamente baixas a cada serviço prestado, fazendo com que a jornada de trabalho diário para essas pessoas tenha até 18h em algumas situações, de acordo com o economista Euzébio Jorge, no programa Bom Para Todos da Rede TVT.

Assim sendo, a “uberização” do trabalho se apresenta de modo prejudicial para diversos setores, principalmente a Saúde e a Economia. Para permitir um avanço positivo nesse sentido, o Poder Legislativo com aval do Ministério do Trabalho, precisa criar leis que regulamentem os direitos dos trabalhadores, forneçam condições humanas de trabalho e concorrência sadia. Permitindo que esse mercado tenha piso salarial para não chegar a níveis sub-humanos e a disputa por empregos seja mais parametrada e possua garantias após ser obtido.