A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 17/12/2020

A integração da tecnologia com a sociedade contemporânea possibilitou o acúmulo de oportunidades e uma expansão de redes comerciais, entretanto, impactos negativos também surgiram. Nesse sentido, a “uberização” do trabalho na era tecnológica atual proporcionou uma maior precarização do trabalho piorando a vida do trabalhador, ao passo que o discruso de liberdade é enaltecida pelas empresas.

Em primeira análise, é relevante enfatizar que a Quarta Revolução Industrial mistura intimamente a economia e a tecnologia, gerando empresas gigantes como a Uber, e promove uma certa autonomia ao profissional. Porém esse fato é apenas um lado dessa situação, analisando criticamente a rotina desses cidadãos que sofrem o processo de “uberização”, isto é, empregados informais que utilizam aplicativos para realizar serviços sem um vínculo formal, nota-se um intenso risco a sua qualidade de vida. Esse problema torna-se perceptível quando um entergador de um aplicativo, por exemplo, não possui direitos trabalhistas, mas precisa trafegar pela cidade e se arriscar a sofrer acidentes.

Além disso, o discurso das grandes companhias de que existe uma autonomia nesse sistema e, assim, ele seria um aspecto positivo, é questionável. Nesse contexto, o filósofo Karl Marx que presenciou a ascensão das fábricas e a precarização máxima do processo fábril alertou a ocorrência da alienação na relação produtiva. Dessa forma, os motoristas dessas empresas ficam, cada vez mais, dependentes do algoritmo e de uma estrutura tecnológica que não são capazes de alterar, tal como no início da Revolução Industrial.

Por fim, é fundamental que o Poder Executivo projeta esses usuários. Assim, ele deve propor, por meio do Congresso Federal, uma lei que regulamente esse trabalho, obrigando às empresas a promoverem direitos, como vale alimentação e, dessa forma proteger minimamente essa comunidade. Logo, gradativamente, a população que utiliza essa forma de ofício será menos precarizada, estando resguardada pela legislação.