A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 16/12/2020

O filme “Wall-e” além de narrar a história do robô, também mostra a realidade dos seres humanos no futuro em que a tecnologia foi capaz de colocar o ambiente em ordem e em uma estética “perfeita”. Fora da ficção, compreende-se que o mundo profissional atual se apega a instantaneidade e possibilidades de serviços na era cibernética. Nesse sentido, é indubitável que a problemática em volta da uberização do trabalho na era tecnológica está ligada à falta de proteção ao indivíduo e a fragilidade das relações sociais.

Em primeira análise, sabe-se que de modo a conquistar melhores condições de vida a população se submete a diários ofícios exaustivos. Séculos atrás, aconteceu a primeira Revolução Industrial em que muitos operários eram obrigados a lidar com cargas horárias exorbitantes e salários baixos. De modo análogo, é visto que os empreendedores modernos não têm leis que os acolham, no entanto, eles vivem em situações de risco, como doenças e maus tratos, para adquirirem estabilidade financeira e não viverem como os outros milhões de desempregados do país que, infelizmente, vivem em situações precárias.

Outrossim, destaca-se a uberização do trabalho como impulsionadora do afastamento do ser humano. De acordo com o sociólogo Zygmmund Bauman, a tendência do mundo é se concentrar em relações rápidas e líquidas e não se apegar em sociabilidade. Seguindo essa linha de raciocínio, infere-se que a imediatidade das situações e dos estilos de empregos faz as pessoas se afastarem uma das outras, com o individualismo, o que causa a longo prazo, doenças emocionais como depressão, ansiedade e pânico.

Entende-se, portanto, que medidas são necessárias para diminuir os problemas causados pela uberização dos serviços. Para atenuar a situação, o legislativo do país, como protetor moral dos indivíduos, deve propiciar segurança jurídica às ambas partes, através de leis de flexibilização de horários, a fim de que o avanço da tecnologia abra espaço para gerações de renda e não haja motivos para conflitos trabalhistas no país.