A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 27/12/2020
O documentário ´´Vidas entregues`` expõe como o trabalho uberizado impacta a vida dos indivíduos, sobretudo dos entregadores de aplicativos que utilizam a bicicleta para realizar suas atividades. Esse novo modelo trabalhista, abordado pelo longametragem, é um grande problema no Brasil, principalmente, por precarizar as condições de ocupação do profissional. Dessa forma, é essencial analisar a insuficiência legislativa e a desvalorizaçao social como os impasses fundamentais na resolução de tal mazela.
Em princípio, a insuficiência legislativa impacta negativamente a condição do trabalho por demanda. Embora a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) tenha ocorrido em 1964, ela beneficia majoritariamente o trabalhador assalariado das grandes cidades. Sob essa ótica, nota-se que o profissional uberizado, que nao goza desses direitos, acaba sendo explorado pelas empresas. Como exemplo desse fato, no documentário ´´Vidas entregues`` é relatado que alguns entregadores chegam a pedalar mais de treze horas por dia; o que é estarrecedor, pois de acordo com a CLT é dever do empregador garantir que o funcionário não ultrapasse diariamente doze horas de serviço. Desse modo, observa-se que é preciso estender os direitos trabalhistas a esses profissionais.
Ademais,a desvalorização social que esse tipo de serviço enfrenta colabora com sua precarização. Segundo o sociológo Karl Marx, em seu livro ´´ O capital``, o trabalho alienado faz com que o indivíduo não tenha noção do seu valor, por isso ele perde sua liberdade e humanidade. Esse panorama exposto pelo autor, infelizmente, é a realidade enfrentada pelos profissionais nesse novo modelo, porque muitas empresas utilizam-se do alto desemprego no país para desvalorizar a força de trabalho dessas pessoas - um exemplo disso, é a baixa taxa de entrega nos aplicativos de alimentação. Logo, infere-se que a alienação do trabalhador favorece a desvalorização e, por consequência, a precarização do emprego uberizado.
Dessa maneira, conclui-se que a precarização do trabalho uberizado precisa ser combatida. A fim disso, é necessário que o Ministério do Trabalho valorize e proteja esses servidores. Isso deve ser feito por meio de uma emenda constitucional que estenda os direitos da CLT aos profissionais uberizados, como o salário mínimo e a carga horária de serviço máxima. Em paralelo, é importante que esse Ministério também divulgue a emenda nos portais oficiais do Governo, para que a população tenha acesso a ela. Posto isso, espera-se que esses trabalhadores sejam valorizados e que suas vidas não sejam entregues à precarização.