A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 18/12/2020

Zygmunt Bauman, O grande filósofo e pensador do século XX, no seu livro ‘‘Modernidade Líquida’’ identificou que a sociedade no final do século XX deixou de estar na modernidade solída e passou a estar na modernidade líquida, ou seja, as relações interpessoais estão muito mais dinamizadas e regidas pela tecnológia e a globalização.Nessa esteira, o processo de uberização é uma manifestação direta da ideia do filisófo polonês, já que acaba com a estabilidade do trabalho e o dinamiza por meio de aplicativos.No entanto, como resultado dessa manifestação da modernidade líquida no trabalho; os trabalhadores desse setor econômico não são amparados pelo poder público, isto é, não possuen direitos trabalhistas e, consequentemente, é gerado uma precarização e uma exploração do trabalho.

Convém ressaltar, a princípio que a falta de direitos trabalhista e regulamentos que protejam  essa casta social é fator determinate para a permanência dessa problemática.Nesse sentido, conforme Rousseau no seu livro ‘‘Contrato Social’’ é dever do Estado garantir o bem-estar coletivo da sociedade.Entretanto, a falta desses direitos trabalhistas rompem com todas as ideias do pensador iluminista, uma vez que não há leis que protejam e garantam uma boa condição social; esses trabalhadores estão sujeitos a uma precarização do trabalho, além de uma exploração.Destarte, é inaceitável que em pleno terceiro milênio o Estado falhe no seu papel de garantir o bem-estar coletivo.

Convém também destacar, a exploração das grandes multinacionais como princípal consequência do processo de uberização.Nessa conjuntura, a grande maioria dos trabalhadores que fazem parte desse processo são autonômos, isto é, não possuem serviço formal,logo não usufruem  dos direitos da CLT ( Consolidação das Leis Trabalhistas), ademais do fato de que a maioria dessa casta social usam veículos próprio como ferramenta de trabalho, sendo que toda manutenção e abastecimento do veículo fica por parte do trabalhador, somado também a uma baixa remuneração bruta, resulta em um rendimento baixissimo pelas horas trabalhadas.Dessa maneira, medida precisam ser tomadas para que os trabalhadores que fazem parte do processo de uberização tenham uma boa condição de trabalho.

Portanto, urge que o Ministério da Economia garanta os direitos básicos e  adicione específicos para essa classe de proletários autônomos,como por exemplo uma ajuda de custo para a manutenção do veículo, por meio de leis leis trabalhista na CLT.Nessa lógica o fito de tal ação é ampliar os direitos trabalhistas a esses trabalhadores e, consequentemente, acabar com a exploração por parte das multinacionais vigentes na modernidade líquida.Somente assim, o problema pode ser gradativamente erradicato, pois conforme Gabriel O Pensador ’’ Na mudança do presente a gente molda o futuro’’.