A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 18/12/2020
O presidente Getúlio Vargas, durante o seu mandato, criou uma série de leis trabalhistas para garantir o bem-estar a toda classe proletária brasileira. Todavia, ao analisar a precária situação dos trabalhadores autônomos, como o caso dos “uber”, é possível perceber que eles não gozam de seus direitos, o que favorece uma maior concentração de renda e a manutenção da pobreza. Destarte, faz-se necessário intervenções a fim de que seja possível honrar com as leis de trabalho do país.
Em primeira instância, esses funcionários autônomos trabalham para grandes empresas-as quais detém grande capital-e mesmo assim ganham pouco e não conseguem usufruir dos seus direitos. Sob esse prisma, durante a Primeira Revolução Industrial, a burguesia lucrava por meio da exploração do proletário, o qual vivia em condições insalubres, sem leis que o protegessem e ganhava um salário muito baixo. Desse modo, apesar de séculos terem se passado, as condições precárias que o funcionário autônomo enfrenta ainda se assemelham com a Primeira Revolução Industrial. Com isso, fica evidente a necessidade de se estabelecer leis que protejam essa parcela da população.
Em segunda instância, a remuneração dos funcionários autônomos é muito baixa, o que corrobora para manutenção da pobreza. Nesse sentido, o geógrafo Milton Santos caracteriou a globalização atual como perversa, já que as grandes potências divulgam a ideia de que a mundialização do capital aproxima as diferentes nações e contribui para uma maior equidade mas, na prática, os cidadãos enfrentam a pobreza e a desigualdade. Paralelo a isso, a globalização estende o mercado laboral, ao proporcionar ferramentas que possibilitam a criação de uma plataforma a qual qualquer cidadão pode acessar, mas intensifica a pobreza, na medida em que concede um maior domínio da classe dominante sobre a classe proletária. Dessa maneira, a criação de mecanismos para garantir uma maior estabilidade ao trabalhador autônomo torna-se fundamental.
Portanto, é necessário que o Poder Legislativo-o qual tem a função de elaborar as leis-crie normas a serem seguidas pelas grandes empresas por meio da implementação de um salário digno, de uma carteira de trabalho, de férias remuneradas, entre outras medidas a fim de que os empregados autônomos consigam gozar de seus direitos. Ademais, é imprescindivel que a população procure saber dos males da mundialização do capital para que haja uma conscientização social e seja possível combater os seus danos. Com essas ações em prática, será possível honrar com as leis trabalhistas em vigor desde o Governo Vargas e garantir que todas as parcelas da sociedade tenha acesso a elas.