A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 22/12/2020

A palavra “uber” tem descêndencia alemã, que significa “acima de”, “sobre de” e “melhor que”, porém o vocabulário derivado: “Uberização” contradiz o seu conceito originário obtendo uma nova roupagem, a da necessidade de trabalhar a pouco custo e de maneira desprotegida. Nesse sentido, é evidente que a tecnologia e a globalização mundial é fator X para a ocorrência da “uberização”, já que praticamente qualquer indivíduo pode se sujeitar a essa realidade, basta apenas possuir a mobilidade e o mundo virtual em mãos. Destarte, faz-se mister a averiguação da situação de precariedade das vitímas atuais do século xxi, com o propósito de burocratizar os regimes de contratação a fim de conter a exploração da mão-de obra.

A posteriori, quanto a liberdade, não há dúvidas sobre a sua existência, uma vez que a  carga horária se dá pela disponibilidade do terceirizado. Entretanto, conforme a revista chilena psicoperspectiva, 90% dos empregados “uberizados” trabalham mais de 8 horas por dia e apenas 40% tem remuneração maior que um salário mínimo. Nesse viés, é correto ainda apontar a falta de responsabilidade a partir do momento em que as empresas contratantes não geram nenhum vínculo empregatício, condição a qual impacta diretamente o subjugado, cujo, se por acaso sofrer algum acidente ou problemática de trabalho seria negligenciado.

Outrossim, pelos olhos da revolução industrial 4.0 os “uberizados” são considerados os novos “Escravos modernos”, posto que apesar de haver o autogerenciamento, é subordinado. Por isso, com a ciência de que estão sendo tratados em situação analóga ao escravismo, os empregados em situação de “uberização” fez à primeira greve nacional dos entregadores,  em primeiro de julho no Brasil, os quais carregam comida, mas não tem alimentação garantida. Nesse ínterim, fica confirmado o descaso como as empresas-aplicativos têm com os contratados.

Para tanto, é pretérivel diminuir os números estatisticos citados na revista psicoperspectiva, havendo necessidade de políticas públicas e a proibição do trabalho moderno escravista. Portanto, é necessário que o Ministério do Trabalho em conjunto com as empresas proporcionem melhores condições aos proletários, com o fito de gerar o bem-estar e dignidade dos cidadãos, mediante a implementação de um plano assistencial, o qual dará alimentação e proteção garantida. Desse modo, atenuar-se-á uma sociedade mais justa, a fim de solucionar esse impasse real na vida de milhares cidadãos do mundo todo, além de remover a imagem do escravo moderno no mundo globalizado.