A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?

Enviada em 21/12/2020

“A tecnologia move o mundo”, tal frase segundo Steve Jobs, advém da premissa a qual na medida em que a humanidade evolui sua capacidade científico-informacional, esta melhora a sua realidade. Nesse sentido, a uberização dos serviços é uma prática promovida pelo avanço da tecnologia, a fim de dinamizar o consumo no Brasil, contudo, tal prática se interpõe em entre duas faces: a precarização dos trabalhadores do setor, que ao não possuir vínculos contratuais com a empresa se tornam vulneráveis devido ao deficit de benefícios e, a liberdade, que o permite obter renda complementar ou trabalho no caso de pessoas desempregadas. Sob tal ótica, é notório, no cenário de pandemia vigente, que a precarização prevalece, advindo de interesses capitalistas e do baixo fomento ao apoio deste setor.

Em primeira análise, vale salientar que Locke, pai do liberalismo, estabeleceu premissas do sistema capitalista no qual há a pouca intervenção do Estado na economia, o que prejudica o trabalhador. Dessa forma, o neoliberalismo, com o auxílio da tecnologia descentraliza e propõe uma flexibilização do sistema produtivo e, assim, o trabalhador não especializado é submetido a condições degradantes,  devido a baixa intervenção do Estado em assegurar os direitos destes, apoio em caso de acidentes ou  acordos de melhorias trabalhistas com as empresas. Por conseguinte, o indivíduo trabalha muito e recebe pouco, não sendo assegurado os direitos, trabalhando em uma situação analoga à escravidão.

Além disso, vale ressaltar que esta prática é adotada objetivando o aquecimento da economia, porém, é um fator para o aumento da desigualdade social. Conforme Karl Marx, o conceito de mais-valia consiste no lucro excedente do gerado pelos proletários, mas que destina-se ao patrão. Sob este viés, o trabalho na era tecnológica, estratifica o brasileiro sendo o resultado da pouca promoção de melhorias em setores tais como escolas, hospitais e, mercado de trabalho - o qual se torna cada vez mais excludente, dada a baixa especialização acadêmica -, gerando a situação a qual muitos ingressam para o trabalho em aplicativos por falta de opção empregatícia. Logo, o trabalho em aplicativos, ao invés de um avanço no mercado de trabalho, se tornou precarizado e única fonte de renda para muitas famílias.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas para assegurar as leis e meios para os trabalhadores supracitados. Urge ao Ministério do Trabalho, responsável pela gestão de condições trabalhistas conforme prevê a lei, a atuação no financiamento de centros de apoio a trabalhadores de aplicativos, que confiram um apoio médico, cesta básica e assegure que este obterá os mesmos direitos do trabalhador contratual, tal medida deverá ser integrada em apoio com as empresas de delivery, as quais deverão receber incentivos fiscais, com o fim de desta forma apoiar e humanizar o setor, minimizando precarização existente. Feito isso, de fato a tecnologia levará ao avanço brasileiro.