A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 23/12/2020
O governo Getúlio Vargas foi o primórdio da conquista de direitos pelos trabalhadores brasileiros, já que foi nesse período a implatação da CLT ( consolidação das leis do trabalho) a qual garantiu, por exemplo, o salário minímo. Entretanto, tais garantias, hodiernamente, são subvalorizadas em deterimento da garantia de emprego, visto que essa segurança é sinônimo de sucesso e dinheiro, no sistema vigente. Além disso, uma liberdade de escolha mascarada de exploração junto a romantização midiática desse tipo de ofício afeta, ainda mais, o bem-estar laboral.
Dessa forma, a possibilidade híbrida de trabalho associada a lógica capitalista de geração de renda alicerçam uma busca maior pela uberização. Isso ocorre porque as pessoas tendem a entender que ao ser seu próprio chefe terá mais liberdade como trabalhador. Desse modo, alguns indíviduos preferem ter um aplicativo para trabalhar do que ter um emprego fixo, no qual teria uma rotina pré-escolhida. Sob essa perspectiva, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche afirmava não existir fatos e somente interpretações, no contexto real, simboliza que a escolha desses trabalhadores não afirmam uma mudança positiva para o trabalho, mas sim, uma perspectiva sobre essa tecnologia.
Ademais, é perceptível que o sistema econômico gera uma mídia parcial a qual valoriza o que as grandes companhias incentivam. Tal fato é baseado na ideia de que essas grandes indústrias são as responsáveis por bancar a programação das grandes emissoras. Com isso, é comum reportagens que enalteçam o trabalhador que em meio a todas as dificuldades, conseguiu se empregar mediante os aplicativos, porém, sem mostrar que esse indíviduo passa mais horas que os demais trabalhando além das condições de trabalho precárias. Consequentemente, é reafirmada a ideia do jornalista Caco Barcelos de que a culpa não é de quem não sabe, mas sim de quem não informa, ou seja, a precarização do trabalho não é culpa do operário e sim da cultura que a incentiva.
Diante o exposto, urge a necessidade de modificar essa realidade quando se trata da uberização do trabalho. Na questão da hibridização da rotina, a Secretaria do Trabalho deve encorajar os contratantes a tentarem entrar em acordo com os funcionários para criar horários que atendam o bem-estar de ambos, e assim, evitar uma busca por liberdade que é acompanhada de falta de direitos. Outrossim, o poder legislativo deve criar um plano nacional que incentive a autorregulação das mídias para que essas mostrem os prós e os contras de ações, a exemplo desse novo tipo de trabalho, com a finalidade de evitar a desinformação. Com essas práticas os direitos garatidos por Vargas são restaurados.