A "uberização" do trabalho na era tecnológica: precarização ou liberdade?
Enviada em 23/12/2020
O mito da caverna de Platão descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da ficção, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à uberização do trabalho na era tecnológica. Nessa perspectiva, a uberização do trabalho se configura como um desafio latente causado pela falta de legislação acerca do tema e da descentralização crescente do trabalho.
Primeiramente, evidencia-se a falta de leis trabalhistas que protegem o trabalhador informal ou terceirizado como dificultador do problema. Nessa perspectiva, a pensadora Hannah Arendt faz uma contribuição pertinente ao afirmar que a essência dos direitos humanos é o direito de ter direitos. Porém, há uma falha quanto a garantir o direito dessa nova modalidade de emprego, supostamente libertadora.
Além disso, o aumento da terceirização do trabalho impossibilita a resolução do problema. Segundo o filósofo Karl Marx, o trabalhador é o servo da máquina. Nesse sentido, o trabalho na era tecnológica se torna cada vez mais alienado e precário, com jornadas de trabalho exaustivas e a redução do trabalhador a contratos temporários e sem uma remuneração justa.
Portanto, faz-se urgente que ações sejam efetivadas. Para isso, cabe ao Ministério do Trabalho estabelecer diálogo com as empresas e seus funcionários a fim de criar leis que protejam o trabalhador e favoreçam também as empresas. Dessa forma, possivelmente, o trabalho na era tecnológica será, de fato, libertador.